25/07/2023
“O olhar da mulher negra latino-americana em diversos caminhos” foi o tema da Roda de Conversa promovida pela Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA), nesta terça-feira (25), no Auditório Paulo Spínola. O objetivo do encontro foi celebrar e reconhecer a importância da mulher negra na sociedade, destacando suas lutas, conquistas e contribuições para o desenvolvimento social, político e cultural de suas comunidades.
O evento contou com a participação da Procuradora Geral do Estado da Bahia, Bárbara Camardelli, de Arany Santana, Ouvidora Geral do Estado, de Francileide Araújo, da Secretaria Estadual de Políticas para Mulheres, e teve como mediadora a advogada e assistente de procuradoria, Tatiane Santos Boa Morte. No final, a cantora Denise Correia realizou um Pocket Show com a Banda Naveiadanêga.
De acordo com a Procuradora Geral, a roda de conversa tem o papel de reforçar a dimensão do papel da mulher negra. “Precisamos saber a dimensão do que significa ser mulher, ser mulher negra dentro de continentes que vêm de um domínio colonizador, que através de um uma escravidão opressora coloca a mulher no papel de servir forçadamente. E isso perpassa até o dia de hoje mesmo de maneira inconsciente”, afirmou Bárbara Camardelli.
Já Francileide Araújo trouxe dados que reforçam o contexto histórico do papel da mulher negra no Brasil. Em 2019, tivemos 488 casos de violência contra a mulher na Bahia. Desses 488, 455 eram contra as mulheres negras. “Quando a gente olha para o Brasil, percebemos que a partir de 2015 teve uma queda nos casos de feminicídio e violência doméstica contra as mulheres brancas, enquanto de mulheres negras continuaram a subir. E isso, é o reflexo do nosso racismo. O racismo também opera na violência doméstica. O racismo faz com que as mulheres continuem nesse ciclo de violência e torne o processo mais dificultoso de romper esse ciclo a partir do momento que uma sociedade inteira é contra você”.
Para Arany Santana, “ser mulher negra em uma sociedade machista e racista é um ato de resistência. Ainda somos vistas como pessoas que nasceram para servir as outras, porém muitas coisas já mudaram e avançaram!“, finalizou.