16/08/2024
Na tarde de ontem, (15), no Auditório Paulo Spínola, servidores da Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) e de outros órgãos, assistiram uma palestra sobre “Netiqueta e a Gestão da Imagem Pessoal e Profissional nas Redes Sociais”. Com a consultoria da publicitária Alessandra Calheira, o evento foi promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento da PGE-BA.
A procuradora chefe do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento da PGE-BA, Ivana Pirajá, destacou a importância do tema para o ambiente de trabalho: “Esse tema vinha sendo muito demandado. As redes sociais são uma parte cada vez mais importante da nossa vida pessoal e profissional. Elas nos permitem conectar com pessoas de todo o mundo, compartilhar informações e ideias, e construir relacionamentos. No entanto, é importante lembrar que as redes sociais também são um espaço público e que o nosso comportamento pode ter um impacto significativo na nossa imagem profissional”, alertou.
Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização na linha de Cibercultura, Alessandra Calheira trouxe uma abordagem atualizada e contextualizou o tema. Ela começou sua fala traçando um panorama histórico, desde o surgimento da internet até a emergência dos smartphones e das redes sociais. “Em 1993, quando ingressei na Universidade, os pesquisadores da área de comunicação e da área de tecnologia começaram a entender a necessidade de um regramento para o uso da internet para que as pessoas pudessem se relacionar de uma forma mais tranquila. Então, criou-se esse termo netiqueta, que é um termo antigo”. Calheira citou algumas dessas regras, como não escrever em caixa alta, não repassar correntes por e-mail, tomar cuidado com os emojis, dentre outras, e defendeu que os novos desafios da contemporaneidade tornam necessária a atualização deste código de uso da internet.
Se antes a internet era discada e o tempo de conexão, mais limitado, hoje em dia, com o avanço da tecnologia, as pessoas podem ficar conectadas 24h por dia, de modo que não existe mais distinção entre vida real e vida virtual. “Gosto muito de pensar na imagem como uma construção única, verdadeira, com coerência, não somente entre a vida real e virtual, como também entre a vida pessoal e profissional”, ressaltou Alessandra Calheira. O grande ponto de mudança foi a criação dos smartphones e das redes sociais, que popularizou o acesso à internet e mudou a forma como as pessoas se relacionam, interagem e produzem conteúdo. Calheira apresentou dados sobre o acesso à internet no Brasil, bem como o tipo de conteúdo que mais engaja os brasileiros, em geral. Informou, por exemplo, que o Brasil é o segundo país onde usuários passam mais tempo online. Por outro lado, expôs também as redes sociais mais acessadas, a exemplo do Whatsapp, Instagran e Facebook, que estão em primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente. E revelou também que conteúdos maliciosos, como as fakenews e as notícias trágicas, são o tipo de conteúdo que mais engaja, mobiliza e enriquece.
Os dados mostram o poder que empresas como a Meta, proprietária das redes sociais mais acessadas no Brasil, têm sobre as mentes do brasileiro. A situação se agrava ainda mais quando envolve a inteligência artificial. Calheira exibiu o vídeo “O que vem por aí?”, disponível no Youtube, que aborda o risco que os pais correm quando publicam imagens de seus filhos nas redes sociais, expondo-os a crimes como o cyberbullying, que pode prejudicar profundamente a saúde mental da vítima.
Com estas informações, a palestrante levou o público a refletir sobre a importância do uso consciente das redes sociais, que hoje em dia implica também em atitudes como pensar antes de publicar (postar); preservar a própria privacidade e a de terceiros; respeitar o outro; verificar a veracidade das informações; conhecer e fazer uso das configurações de privacidade e tomar cuidado com o que compartilha. “Não adianta ter uma linda foto no perfil, um conteúdo bem escrito e um bom posicionamento profissional, por exemplo, se você é incoerente em seus papéis, engaja discurso de ódio e expõe as pessoas, dentre outras práticas nocivas”, alertou Alessandra Calheira.