08/10/2024
Em celebração ao Outubro Rosa, o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento da PGE-BA promoveu, nesta terça-feira (8), a mesa redonda “Outubro Rosa: A Saúde da Mulher”, reunindo procuradores e servidores para discutir temas relevantes sobre a saúde feminina. A procuradora chefe do CEA, Ivana Pirajá, abriu o evento destacando a importância da luta contínua pela saúde das mulheres.
Realizado no Auditório Paulo Spínola, na sede da PGE-BA, o encontro contou com palestrantes da área da saúde e direito, que trouxeram perspectivas interdisciplinares sobre o tema. Lorena Magalhães, médica ginecologista e responsável pelo Ambulatório de Sexualidade Feminina do Hospital das Clínicas, abordou aspectos relacionados à saúde sexual e reprodutiva da mulher. Ela falou sobre a importância do incentivo à atividade física, o controle de peso e do consumo do álcool como atitudes que por si só já previnem o câncer de mama. “Lá no ambulatório de sexualidade do Hospital das Clínicas, damos um suporte para a qualidade de vida da mulher, depois do diagnóstico", disse. A ginecologista falou também sobre o conceito de saúde da mulher como um todo, que envolve a qualidade de vida, especialmente na pós-menopausa, quando a mulher passa a ter sintomas que impactam sua saúde, mas não são reconhecidos como doença, embora possa ser tratado.
Lucas Ramos, mastologista e sócio titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, discutiu a evolução do câncer de mama, que, após a introdução da vacina contra o HPV, tornou-se mais comum que o câncer de colo de útero. Ele ressaltou que o tratamento deve focar não apenas na cura, mas na qualidade de vida, mencionando que 90% dos casos de câncer de mama não são hereditários. Ramos abordou também os fatores de risco do câncer de mama: “O primeiro fator de risco é relacionado aos hábitos reprodutivos. Mulheres que têm mais filhos e amamentam mais tendem a ter menos chance de desenvolver a doença. Outros fatores são o consumo de alimentos industrializados, álcool e tabaco, bem como o sedentarismo e a obesidade”. Ramos falou também sobre a periodicidade dos exames: "O tratamento do câncer de mama começa com a prevenção. Para tanto, a mamografia é um dos exames mais importantes, tanto que no Brasil é lei, e tem que ser feito anualmente a partir dos 40 anos", alertou.
Fabiana Barretto, procuradora assistente do Núcleo de Controle Administrativo e Disciplinar (NCAD), compartilhou sua experiência pessoal com o câncer de mama, enfatizando a importância da detecção precoce e do apoio emocional. A procuradora Verônica Carvalho abordou os desafios jurídicos relacionados à saúde da mulher e a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na garantia de direitos. Acompanhada da também procuradora Ariela Serra discutiram marcos legais que visam proteger a saúde feminina e garantir acesso a tratamentos. Carvalho, que na PGE atua na área de judicialização da saúde, identificou que o direito à saúde da mulher é constantemente violado. "Esse momento do Outubro Rosa é importante, porque é o espaço que temos para falar sobre o SUS e difundir as informações sobre o que já temos em termos de serviços de saúde da mulher.
O evento também promoveu um espaço para esclarecer dúvidas. Vaneska Schmidt, especialista em políticas públicas, aproveitou a oportunidade para perguntar sobre terapias que as mulheres em tratamento de câncer não podem fazer, se é verdade que não podem fazer tratamento de reposição hormonal, por exemplo. A ginecologista Lorena Magalhães aproveitou para desmentir a ideia de que a mulher que faz tratamento hormonal tem maior tendência a ter câncer. “O grande temor da terapia de reposição hormonal realmente veio nos anos 2000, com o estudo WHI que de fato trouxe problemas, devido ao uso de hormônios derivados de equinos e à dose, mas isso foi desmistificado com outros estudos”, complementou o mastologista Lucas Ramos. Ele esclareceu que o hormônio não é indutor de câncer, mas alertou que a terapia de reposição hormonal tem que ser muito bem indicada, e sendo assim só traz benefícios para a saúde, inclusive redução de câncer de intestino. “As contraindicações absolutas são, de fato, trombose, e as pessoas que têm cânceres hormônios sensíveis, como câncer de ovário. Fora isso, só se recomenda o tratamento por cinco anos”, esclareceu.
A mesa redonda foi uma oportunidade única de reflexão sobre a importância dos cuidados preventivos e das políticas de saúde para a mulher, com foco no contexto do Outubro Rosa, campanha mundial de conscientização sobre o câncer de mama. O evento buscou não apenas conscientizar, mas também fortalecer o diálogo entre a saúde pública, o direito e o cuidado com as mulheres.