Evento fez parte da programação do Novembro Negro da PGE-BA e buscou refletir sobre o impacto cultural e social das produções audiovisuais e sobre a importância da representatividade na arte.
Nesta quarta-feira (13), o projeto Cine Baiano em Ação, da Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA), realizou uma sessão especial no auditório Paulo Spínola com a exibição do curta-metragem 5 Fitas (2020). O filme, ambientado na tradicional Lavagem do Senhor do Bonfim, contou a história de dois irmãos, Pedro e Gabriel, que, em busca de uma bola de futebol, decidiram embarcar em uma jornada repleta de significados, lidando com a ausência paterna e com as esperanças depositadas na fé.
Após a exibição, ocorreu um debate mediado pela procuradora chefe do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento (CEA), Ivana Pirajá, e pela doutoranda em cinema da UFBA e assistente de procuradoria, Raquel Salama Martins. Os diretores do curta, Heraldo de Deus e Vilma Martins, compartilharam suas vivências no cinema baiano, abordando temas como africanidade, religiosidade e a realidade de produções audiovisuais da Bahia.
Durante o bate-papo, Heraldo de Deus comentou sobre as motivações para a criação do filme. "Vários motivos nos levaram a fazer esse filme. Um deles foi uma fala de um político que, em 2017, disse que uma família que não tivesse uma figura paterna dentro de casa seria um lar desestruturado. Por isso, foi importante ter dois meninos nessa história. Além disso, queríamos mostrar a possibilidade de crianças negras viverem na cidade, saírem, voltarem para casa, viverem uma aventura — algo muitas vezes negado a essas crianças, pois, quando tentam, a possibilidade de retorno é muito baixa”.
Já Vilma Martins compartilhou as dificuldades e desafios enfrentados na produção do filme. "Sem dinheiro, sem suporte, fomos na cara e na coragem, com tudo para dar errado, e deu tudo certo. Estávamos com duas crianças numa festa de rua, como a lavagem do Senhor do Bonfim, tratando de religiosidade, espiritualidade. Essas dificuldades acabam fazendo parte da estética do filme. Captação de áudio e imagem, toda essa complexidade está no formato do filme. A gente depende de muita coisa para existir, inclusive de financiamentos e editais. Temos essa estética de baixo orçamento, mas com criatividade, sensibilidade e atuações verdadeiras que emocionam”, relatou.