Roda de Conversa “Libras: Diálogos pela Inclusão” estreia na PGE-BA com auditório lotado e celebração à diversidade

26/09/2025
A imagem mostra um auditório com várias pessoas sentadas em cadeiras pretas de encosto alto, voltadas para a frente. No palco, à direita, há um grupo de oito pessoas sentadas em poltronas, participando de uma roda de conversa. Uma tela de projeção ao fundo exibe informações do evento, com fotos e nomes de participantes. À esquerda, o público observa atentamente. À direita, há um púlpito transparente e uma pessoa em pé, interpretando em Libras. O ambiente é iluminado por luzes de teto embutidas.
ASCOM PGE-BA

A Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento (CEA), promoveu, na tarde desta sexta-feira (26), a primeira edição da roda de conversa “Libras: Diálogos pela Inclusão”, em celebração ao mês de valorização da comunidade surda. O evento, realizado no Auditório Paulo Spínola, contou com a presença do corpo funcional da PGE, representantes e familiares da comunidade surda.

 

Com auditório cheio, o encontro teve início com a apresentação da banda “Batuque de Surdos”, grupo de percussão formado por jovens surdos e criado pela Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos da Bahia (APADA) em 2008. O projeto surgiu como uma iniciativa de iniciação musical voltada à inclusão cultural e artística, utilizando as vibrações dos instrumentos para criar ritmos que expressam, de forma singular, a vivência e a identidade surda.

 

A abertura oficial foi realizada pela procuradora chefe do CEA, Ivana Pirajá, que agradeceu a presença de todos e destacou a importância do tema. “A inclusão é um compromisso institucional e também humano. Cabe ao Estado desenvolver políticas públicas, e esse é um caminho que se constrói com empatia, conhecimento e escuta”, afirmou.

 

A roda de conversa reuniu especialistas e representantes da PGE-BA e da APADA, que compartilharam experiências e reflexões sobre acessibilidade, linguagem e, acima de tudo, de convivência inclusiva. Participaram do debate Frederico Luiz de Santana Alvarez, palestrante e comunicador com mais de dez anos de experiência em capacitação de pessoas; Antônio E. S. Lopes, tradutor e intérprete de Libras há 20 anos, supervisor pela APADA, servidor da PGE-BA e intérprete educacional da Secretaria Estadual de Educação; Janeth de Souza Baliza, representante da comunidade surda e ativista pelos direitos das pessoas surdas; e Raynara Barros Cambuí, servidora da PGE-BA, coordenadora da SPI e bacharela em Direito.

 

O público também acompanhou as participações especiais de Charlina Araújo, educadora musical, musicoterapeuta e regente da Banda Percussiva Batuque de Surdo há oito anos, e Josiene Borges, professora da rede municipal de Salvador e coordenadora voluntária da Banda Percussiva Batuquinho de Surdo — projeto da APADA em parceria com o Instituto Neoenergia e o Fazcultura-BA.

 

Charlina Araújo falou sobre o desafio de conduzir uma banda formada apenas por surdos. Professora de música há 16 anos, com experiência com alunos TEA e idosos, destacou que, para os jovens surdos, é necessário mais tempo para perceber a vibração do som, entender sua responsabilidade, despertar para a disciplina e integrar tudo isso com a técnica musical.

 

Josiene Borges apresentou um breve histórico da banda e comentou sobre as dificuldades de manter o projeto, tanto financeiramente quanto na interação com os jovens, envolvendo inclusive suas famílias. Ela ressaltou a importância da sociedade superar o olhar capacitista e se permitir apreciar o som da banda como expressão artística.

 

Janeth Baliza, colaboradora que ficou surda com pouco mais de um ano de idade, relatou, com tradução de Lopes, os desafios iniciais na PGE-BA, onde atua há cinco anos. “Hoje, graças ao apoio da APADA e à dedicação dos colegas, eu consigo me comunicar plenamente, mostrando como barreiras podem ser superadas com empenho e colaboração.”.

 

Antônio Lopes destacou o acolhimento dos servidores e relembrou os procedimentos antigos da PGE, quando os processos eram físicos. Ele ressaltou a importância de dar autonomia, além de oportunidade, aos surdos, lembrando que eles têm a mesma capacidade de atuação que os ouvintes. “O espaço no mercado de trabalho é limitado, mas aqui eles podem mostrar seu potencial em qualquer área”, afirmou.

 

Raynara Cambuí falou pelo viés da PGE, reconhecendo os desafios enfrentados pela instituição, e agradeceu a Lopes pelas aulas semanais, que forneceram os insumos necessários para favorecer a interatividade e a autonomia, não apenas dos colegas surdos, mas de toda a equipe da SPI.

 

Frederico Luiz ressaltou a performance e dedicação do grupo, lembrando que, ao gerenciar o trabalho de digitalização da CDA, os colaboradores surdos lhe ensinaram a entendê-los, para se estabelecer a comunicação, a troca, a inteação, reforçando a importância de uma inclusão séria e efetiva. “Estamos ampliando os setores que podem absorver profissionais surdos, que são altamente capazes de manter alta performance.”, afirmou.

 

Ao unir prática e teoria, o evento demonstra o cuidado da PGE-BA com a promoção da acessibilidade, da diversidade e do respeito às diferenças, em consonância com a Política de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade da instituição. A roda de conversa também marcou a celebração do Dia Internacional da Língua de Sinais (23) e do Dia Nacional dos Surdos (26), isso reforça o real compromisso da PGE-BA com a construção de um ambiente de trabalho mais inclusivo e acolhedor para todos.

Fonte
ASCOM PGE-BA
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