Case desenvolvido no Setembro Amarelo foi selecionado para feira nacional sobre saúde mental no serviço público, em Florianópolis; Programa Bem-me-Quer também apresentou iniciativas da instituição voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida.
Uma experiência que nasceu dentro da Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) para estimular a empatia, a escuta e o cuidado no ambiente de trabalho ganhou projeção nacional. A Estação Empatia, ação desenvolvida pela instituição durante o Setembro Amarelo, foi selecionada para integrar a Feira de Cases do 1º HappyGov – Encontro Nacional sobre Saúde Mental no Serviço Público, realizado nos dias 24 e 25 de setembro, em Florianópolis (SC).
Promovido pela WeGov, o encontro reuniu gestores, servidores, especialistas e representantes de instituições públicas de diferentes regiões do país em torno de um desafio cada vez mais presente na administração pública: transformar o cuidado com a saúde mental em política institucional permanente.
A PGE-BA participou da Feira de Cases ao lado de iniciativas de outros órgãos públicos e levou para Santa Catarina uma experiência construída a partir de uma ideia simples: a comunicação também pode ser instrumento de acolhimento.
Criada no âmbito do Setembro Amarelo, a Estação Empatia integrou uma nova edição do projeto Degraus da Reflexão. A intervenção transformou a escadaria da área de convivência da sede da PGE-BA em um percurso de mensagens sobre empatia, atenção ao outro, escuta e valorização da vida. Ao final do trajeto, a Estação oferecia cápsulas com pequenas mensagens — “doses de empatia” — que podiam ser retiradas e compartilhadas.
A proposta levou para um espaço cotidiano da instituição um convite à reflexão sobre como pequenos gestos podem contribuir para relações profissionais mais humanas e ambientes de trabalho emocionalmente mais seguros.
Um estande para experimentar o cuidado
No HappyGov, a PGE-BA procurou reproduzir essa experiência para além da apresentação conceitual do projeto. O estande da instituição transformou-se em um espaço de acolhimento e interação com os participantes da Feira de Cases.
Quem passou pelo local pôde conhecer a Estação Empatia, retirar cápsulas com mensagens e conversar com a equipe sobre as estratégias adotadas pela Procuradoria para inserir o cuidado com as pessoas no cotidiano institucional.
Um dos destaques foi o Kit Pausa de 5 Minutos, preparado especialmente para os visitantes. A proposta era tão simples quanto simbólica: lembrar que, mesmo em jornadas intensas, alguns minutos de pausa, respiração e reconexão consigo mesmo podem fazer diferença.
O kit despertou a curiosidade do público e tornou-se uma das formas de interação no estande, ajudando a traduzir para uma experiência concreta a mensagem apresentada pela PGE-BA: cuidar da saúde mental também passa por reconhecer limites, criar espaços de pausa e incorporar pequenas práticas de autocuidado à rotina.
O movimento de visitantes e o interesse pelas iniciativas fizeram do estande também um ponto de troca de experiências. Mais do que apresentar um case, a participação permitiu conversar com profissionais de diferentes órgãos sobre ações de acolhimento, comunicação interna, prevenção ao adoecimento e construção de ambientes profissionais mais saudáveis.
Para a assessora chefe de Comunicação da PGE-BA, Mara Santana, a seleção da Estação Empatia mostra como iniciativas de comunicação podem contribuir para uma cultura institucional de cuidado.
“Foi muito significativo perceber pessoas de diferentes instituições parando no nosso estande, retirando uma cápsula, conhecendo o Kit Pausa de 5 Minutos e querendo saber como a experiência foi construída. A Estação Empatia nasceu de uma ação de comunicação, mas ganhou sentido porque provocou interação e reflexão. Levar esse projeto para o HappyGov mostrou que uma ideia simples, quando conecta comunicação e cuidado, pode dialogar com realidades muito diferentes e inspirar outras instituições”, destaca.
Bem-me-Quer amplia o diálogo
A presença da PGE-BA no HappyGov foi além da Estação Empatia. O estande também apresentou as ações e propostas do Programa de Saúde e Bem-Estar Bem-me-Quer, desenvolvido pela instituição para promover qualidade de vida e fortalecer uma cultura permanente de atenção à saúde física e emocional de procuradores, servidores e colaboradores.
As iniciativas do programa incluem ações preventivas e educativas relacionadas à saúde mental, alimentação saudável, atividade física, bem-estar psicossocial e melhoria da qualidade de vida no ambiente profissional.
Durante o evento, o Bem-me-Quer serviu como uma espécie de fio condutor para mostrar aos visitantes que ações pontuais de sensibilização podem fazer parte de uma estratégia institucional mais ampla. A mensagem levada pela PGE-BA foi justamente a de que saúde e bem-estar não devem ficar restritos às campanhas do calendário, mas precisam ser incorporados de forma contínua à cultura organizacional.
A procuradora chefe do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento (CEA), Ivana Pirajá, que acompanhou a participação da instituição no evento, ressalta essa dimensão.
“O Bem-me-Quer parte da compreensão de que cuidar das pessoas também é cuidar da instituição. Queremos construir um ambiente em que saúde, acolhimento e qualidade de vida estejam presentes ao longo de todo o ano, e não apenas em datas específicas. Participar do HappyGov foi uma oportunidade de apresentar o que estamos construindo, conhecer experiências de outros órgãos e voltar com novas referências para fortalecer ainda mais esse trabalho na PGE-BA”, afirma.
Saúde mental no centro da gestão pública
A proposta apresentada pela Bahia encontrou sintonia com o próprio eixo do HappyGov. A programação nacional abordou temas como saúde mental e liderança, mindfulness, prevenção ao assédio moral, riscos psicossociais, absenteísmo, segurança psicológica e construção de culturas organizacionais saudáveis.
O encontro reuniu representantes e especialistas ligados a instituições como Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e Governo de Goiás, além de órgãos do sistema de Justiça e instituições públicas de diferentes estados.
Na Feira de Cases, outras experiências de cuidado também dividiram espaço com a PGE-BA. Entre elas, o Programa Saúde+, do Tribunal de Justiça do Pará, iniciativa voltada à promoção da saúde integral, prevenção do adoecimento, autocuidado, suporte psicossocial e prevenção de riscos psicossociais.
A diversidade de experiências mostrou que a saúde mental deixou de ser uma discussão periférica na gestão de pessoas e passou a ocupar espaço estratégico dentro das organizações públicas.
Da Bahia para uma rede de boas práticas
Para a PGE-BA, ter a Estação Empatia selecionada para uma feira nacional também permitiu observar a própria experiência sob outra perspectiva.
Uma ação concebida inicialmente para alcançar quem circulava diariamente pela sede da Procuradoria passou a ser compartilhada com gestores e servidores de outras partes do Brasil. Ao mesmo tempo, o contato com diferentes cases abriu espaço para novas ideias e possibilidades de aprimoramento das políticas internas.
A participação no HappyGov reforçou ainda a integração entre o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento (CEA) e a Assessoria de Comunicação Social (Ascom) na construção de ações capazes de transformar temas complexos em experiências próximas do cotidiano das pessoas.
Ao final, a principal mensagem levada pela PGE-BA a Florianópolis coube em algo tão pequeno quanto uma cápsula da Estação Empatia ou uma pausa de cinco minutos: instituições mais saudáveis também são construídas a partir da forma como cuidam de quem trabalha nelas.