Alho e uma fábrica de pasta
O emprego de tecnologias simples está proporcionando aumento de até dez vezes no cultivo do alho nos vales do Taquarendi e do Caatinga do Moura, região de Jacobina, 330 km de Salvador. Além do crescimento na produtividade, uma associação de produtores vai agregar valor a partir de dezembro, com a inauguração de uma fábrica de pasta.
O chefe do escritório da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) em Taquarendi, o agrônomo Gilson Pedro Amorim Pereira, informa que a imunização contra vírus e a adaptação de sementes, por meio do processo conhecido como vernalização, transformaram radicalmente a produtividade do alho na região.
Atualmente, nos dois vales, são produzidas de 600 a 700 toneladas em 90 hectares de alho nobre, aquele que apresenta no máximo de oito a 12 dentes. "Até 2002, a produtividade média aqui nos vales não passava de quatro toneladas por hectare. Com o emprego dessas duas tecnologias, estamos conseguindo superar oito toneladas por hectare", comemora o agrônomo.
A fábrica de pasta de alho está na fase de instalação de equipamentos. A previsão é que seja inaugurada em 15 de dezembro e produza 200 toneladas/ano.
Técnica - A vernalização foi desenvolvida pela própria EBDA. Trata-se de uma espécie de câmara frigorífica, com temperatura que varia de três a cinco graus centígrados, para adaptação de sementes que são importadas do Sul do Brasil e Argentina. Há duas câmaras, nos dois vales, com uma capacidade total de armazenamento de 30 toneladas.
A imunização da semente de alho contra vírus foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), que trabalha em parceria com a EBDA.
Gilson Pedro Amorim Pereira ressalta que o aumento da produtividade também é fruto de uma rotineira capacitação do produtor, durante os últimos quatro anos. Atualmente, há 96 produtores associados e 180 independentes nos dois vales.
Capacitação - O produtor Firmino Roque de Lima Neto já tinha até desistido de cultivar alho, porém retornou a partir de 2001. Sem a capacitação e as tecnologias, ele conseguia uma tonelada e meia por hectare, mas hoje chega a 15 toneladas. Firmino Neto é um dos que cultivam a semente no telado. Numa área de 18 metros quadrados, ele planta 900 dentes e colhe 900 cabeças de alho livre de vírus.
Um dos produtores também beneficiados pelas sementes selecionadas e tratadas é Nivaldo de Jesus. Ele recebeu a reportagem de A TARDE Rural com uma réstia com 75 cabeças, símbolo da produtividade e da qualidade obtidas nos Vales do Taquarendi e do Caatinga do Moura.
O agrônomo Gilson Pereira salienta que os dois vales têm capacidade irrigada para o cultivo de uma área total de 900 hectares, mas, até agora, só está usando 100 hectares.
"O produtor de alho da região tem, hoje, uma melhor qualidade de vida. Há cinco anos, a situação era bem diferente: a produtividade baixa, os bancos não queriam financiar o plantio, não havia esperança e confiança por parte do produtor. Felizmente, isso mudou", destaca o chefe do escritório da EBDA.