Carta do Leite propõe a criação de fórum permanente para o setor

13/11/2008

Carta do Leite propõe a criação de fórum permanente para o setor

 

Ao participar, na tarde de ontem, do encerramento do seminário Caminhos do Leite na Bahia – Desafios e Oportunidades no Hotel Fiesta Convention Center, em Salvador, o governador Jaques Wagner recebeu a ‘Carta Caminhos do Leite’.

O documento apresenta, dentre outras propostas, a criação de um fórum – que funcionará como um canal específico e permanente de articulação entre os segmentos que representam a cadeia produtiva do leite e instâncias de governos estadual e federal.

O objetivo é a criação e aperfeiçoamento de políticas públicas para o setor. O documento visa, também, a implantação da Câmara Setorial do Leite.

Cronograma -"Este plano tem que ter um acompanhamento, uma equipe que cobre. A gente tem que estabelecer um cronograma para que o projeto possa avançar", declarou Wagner.

Ele falou, ainda, que o governo está trabalhando para melhorar as estradas vicinais para facilitar o escoamento do leite.

No evento, o governador antecipou que, na próxima semana, segue para a Assembléia Legislativa o projeto do Executivo que propõe a criação da lei estadual de incentivo ao cooperativismo.

Seminário discutiu as políticas públicas voltadas para a cadeia produtiva

Assistência técnica, financiamento para beneficiar o produto, regulação de preço, além de ações articuladas entre as secretarias estaduais voltadas para o segmento leiteiro.

Essas são algumas das reivindicações dos produtores de leite da Bahia que, pela primeira vez, se reuniram num seminário para discutir políticas públicas voltadas para a cadeia produtiva do leite.

Estavam presentes pequenos e médios produtores de leite do estado, representantes de sindicatos, da indústria de laticínios e de órgãos estadual e federal de regulação.

Seca - O presidente da Federação Baiana de Agricultura e Pecuária, João Martins, afirmou que o evento é resultado de um plano elaborado para o setor a partir de discussões com as estâncias estadual e federal de governo.

Francisco Menezes, pequeno produtor do município de Araci (região do semi-árido), relatou que sua maior dificuldade hoje é a falta de tecnologia para incrementar sua produção. A seca torna-se uma das agravantes nesse processo.

Alguns entraves que inviabilizam a produção e até a comercialização do leite na Bahia são baixo nível cultural da maioria dos produtores, pequeno volume da produção, falta de pastagem para o gado, escassez de subprodutos da agroindústria para alimentar os animais, resistência de alguns produtores em adotar tecnologias recomendadas pela assistência técnica.

Geração de riqueza - Apesar dos gargalos que emperram a cadeia produtiva nas regiões mais áridas do estado, há pequenos produtores que chegam a produzir 250 litros de leite por mês, gerando renda familiar de R$1 mil mensais.

Para o superintendente de Agricultura Familiar, Ailton Florence, a cadeia produtiva do leite não é uma questão estanque, de interesse, apenas de um pequeno grupo.

Ela se relaciona com a geração de trabalho e renda nas pequenas e grandes comunidades. "É possível fazer com que o estado da Bahia amplie sua cadeia produtiva, gere riqueza e produza inclusão social", enfatiza.