Caprinocultura e PPA Participativo são destaques em congressos internacionais

13/11/2008

Caprinocultura e PPA Participativo são destaques em congressos internacionais

 

A caprinocultura baiana pode avançar ainda mais, profissionalizando-se e se consolidando como arranjo produtivo. Esta é uma das conclusões do especialista em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria do Planejamento (Seplan), André Pamponet.

A idéia é defendida no artigo Do Autoconsumo – Os Desafios Atuais para a Caprinocultura no Nordeste Semi-árido da Bahia. O trabalho foi apresentado no IV Congresso Internacional da Rede Sial (Sistemas Agroalimentares Localizados), que aconteceu em outubro, em Mar del Plata, na Argentina.

Segundo Pamponet, o panorama futuro da caprinocultura é percebido ao traçar um paralelo entre o histórico de investimentos governamentais, apoiados pelo Banco Mundial (Bird), e as propostas apresentadas por produtores e trabalhadores rurais na consulta popular realizada em 2007 pelo Estado para elaboração do Plano Plurianual (PPA 2008-2011).

"As políticas públicas já conseguiram assegurar a sustentabilidade da atividade para os agricultores familiares do nordeste da Bahia. O que é preciso agora é a dinamização comercial", disse o especialista.

Entre os desafios, ele citou os investimentos em infra-estrutura viária e na qualificação dos produtores, a instalação de frigoríficos e matadouros e a mensuração do mercado para o produto.

Semi-árido – Para o secretário do Planejamento, Ronald Lobato, o Plano de Desenvolvimento do Estado contempla todos esses desafios e prioriza exatamente o semi-árido, que representa 68,5% do território e mais de 45% da população da Bahia.

"Além dos investimentos em infra-estrutura e logística, como a recuperação de 1,2 mil quilômetros de estradas, propomos que o sisal, a bioenergia e a criação de ovinos, caprinos e bovinos sejam os arranjos socioprodutivos (ASPs) que modifiquem a realidade econômica e social do semi-árido", afirmou o secretário.

Entre as propostas coletadas nos territórios Sertão do São Francisco, Sisal, Piemonte Norte do Itapicuru, Semi-árido Nordeste II e Itaparica, destacam-se os pedidos de qualificação da mão-de-obra, investimentos em tecnologia, incluindo-se aí o melhoramento genético dos rebanhos, e a implantação de frigoríficos e abatedouros para adensar a cadeia produtiva.

Potencial do rebanho é pouco explorado

Embora existam rebanhos caprinos em diversos pontos do estado, o semi-árido concentra 80% do total, estimado pela Secretaria da Agricultura (Seagri) em 4,2 milhões de animais, o que corresponde a 42% de todo o rebanho nacional.

Na opinião de Pamponet, os investimentos dos últimos anos na construção de milhares de cisternas, centenas de sistemas simplificados de abastecimento de água e disponibilização de milhares de fardos de feno criaram as condições necessárias para o desenvolvimento da agroindústria caprina.

"Apesar do tamanho do rebanho, o potencial é pouco explorado. Basicamente, utilizam-se os animais para o fornecimento de carnes, mas percebe-se a preocupação em aproveitar o couro, cujos preços no mercado são atrativos, e também com a geração de produtos com alto valor agregado, como embutidos, defumados e carnes com cortes padronizados", analisou o especialista.