Risco de crédito alto limita novas linhas
O custo financeiro médio das operações de crédito rural feitas pelo Banco do Brasil supera, de longe, as taxas de juros de 6,75% subsidiadas pelo Tesouro Nacional dentro do Plano de Safra, revelou ontem a nova presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Os produtores de grãos do Sul do país pagaram 15,3% ao ano de juros médios na atual safra. No Centro-Oeste, o custo chegou a 21%. Os dados constam de uma apresentação preparada por executivos do BB, divulgada ontem pela CNA.
A revelação serviu de base para as críticas de Kátia Abreu contra o custo e as dificuldades de acesso ao crédito rural no país. "O custo do produtor aumentou em 30% nesta safra e o produtor continuou com os mesmos limites de crédito no banco", protestou. A senadora criticou a restrição ao crédito ao lembrar que, na comparação com o ciclo anterior, foi liberado apenas um adicional de R$ 500 milhões para custeio e comercialização no primeiro trimestre da atual safra.
A apresentação do BB permite constatar um forte aumento do risco de crédito dos produtores rurais, um dos principais entraves à liberação de novos recursos ao setor. Pelos dados, a carteira de crédito rural do BB, cuja soma atingiu R$ 61,6 bilhões em junho deste ano, registrava 14,5% de produtores classificados nos piores níveis - de "D" a "H". Em 2003, esse total era de apenas 3%. A situação agravou-se após a crise rural de 2004/2005. Em 2005, o índice passou a 9,3% e, com as sucessivas renegociações das dívidas rurais, subiu a 13,8% no ano passado.
Os dados do BB mostram, ainda, que o custo do financiamento dentro das regras do crédito rural é mais alto que os feitos no mercado. No Sul, é 10% inferior e no Centro-Oeste, 35%. A carestia pode ser explicada, segundo Kátia Abreu, pelo volume de renegociações. O BB tem em sua carteira prorrogações de R$ 15,2 bilhões em dívidas com risco médio de 17,3%, entre "D" e "E". A carteira sem renegociações soma R$ 42,3 bilhões, com risco médio de 4,8% - entre "C" e "D".
O resultado levou o BB a elevar fortemente suas provisões na carteira rural. Até o terceiro trimestre, o BB havia reservado R$ 4,66 bilhões para cobrir eventuais calotes no setor, o equivalente a 7,6% do total emprestado ao segmento. Em 2003, a provisão somava R$ 493 milhões, ou 1,8% da carteira. Em 2005, sob o efeito da crise do ano anterior, havia escalado a R$ 1,94 bilhão, ou 5,4% dos financiamentos ao setor.(MZ)