Começa mapeamento das águas subterrâneas de Caetité e Lagoa Real

17/11/2008

Começa mapeamento das águas subterrâneas de Caetité e Lagoa Real


O Governo da Bahia, por meio do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), autarquia da Secretaria do Meio Ambiente, incluiu os pontos de captação de água utilizados para consumo humano, agricultura e dessedentação animal pela população dos municípios de Caetité e Lagoa Real no programa Monitora.

Serão feitas análises contínuas e sistemáticas da qualidade da água da região para identificar se há contaminação por urânio e em quais concentrações é encontrada em todos os pontos de captação de água utilizados pela população.

Será realizado ainda o monitoramento para identificar se há contaminação na água também por outros metais pesados, como chumbo, alumínio, rádio e radônio, ferro e fósforo. Isso porque o urânio tem uma meia-vida e perde gradativamente sua radioatividade, transformando-se em outros metais pesados que oferecem riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Levantamento - O diretor de Monitoramento e Informação do Ingá, Wanderley Rosa Matos, explicou que o levantamento dos poços já começou a ser traçado, através dos dados da Companhia de Engenharia Rural da Bahia (Cerb), da Secretaria da Saúde (Sesab), da Embasa e das prefeituras de Caetité e Lagoa Real. As informações serão complementadas com informações de campo levantadas pela equipe do Ingá.

O acompanhamento do governo visa também verificar se a contaminação está aumentando em decorrência da atividade de mineração das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) ou se é natural, devido à radioatividade presente no solo da região.

As medidas que estão sendo tomadas, sugeridas no relatório detalhado das análises emitido pelo Senai/Cetind, incluem ainda estudos sobre o fluxo das águas subterrâneas e o mapeamento das zonas de recarga de aqüífero nas áreas de influência da unidade de concentrado de urânio.

Dinâmica das águas - O estudo sobre os fluxos das águas subterrâneas através do mapeamento geológico permitirá identificar a comunicação entre os poços. "Esses dados e as informações sobre o histórico do monitoramento de urânio na região permitirão informações mais precisas sobre as causas da contaminação", disse Matos.

"Vamos consultar todos os estudos geológicos feitos na região pelas Indústrias Nucleares Brasileiras, pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM)", afirmou o diretor. "Essas informações, acrescidas dos estudos dos mapas da região, nos permitirão conhecer a dinâmica das águas subterrâneas", explicou.


Análises diversas esclarecem caso

A quantidade de urânio encontrada em um dos sete poços de água analisados pelo Ingá, em Caetité, estava cinco vezes acima dos parâmetros-limite do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

Esse poço utilizado por cinco famílias foi interditado e o abastecimento alternativo de água foi garantido pelo governo.

As análises seguiram os limites determinados pela Portaria 518/04 do Ministério da Saúde (sobre potabilidade da água para consumo humano), pela Resolução 357/05, do Conama (sobre parâmetros de qualidade dentro da classificação de corpos d’água), pela Resolução 396/08 do Conama (sobre parâmetros de qualidade para classificação de águas subterrâneas) e pelos limites máximos permitidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Interdição preventiva - Matos observou que isso não significa necessariamente que as pessoas que consumiram a água desse poço estejam ou possam ficar doentes.

"A interdição imediata do poço, o fornecimento de água potável e a prestação de assistência para as famílias prejudicadas são as ações preventivas adotadas pelo governo", disse.