Bionegócios no semi-árido
Com vários projetos sendo desenvolvidos em parceria com o Governo do Estado da Bahia, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial - UNIDO escolheu como um dos seus principais focos a área de econegócios e desenvolvimento sustentável. Sobretudo no semi-árido baiano, onde estão sendo realizadas importantes pesquisas nas áreas de biodiesel, a partir de plantas típicas, e na de utilização do sisal.
Consultor da UNIDO no Brasil, Fernando Machado informa que os estudos para uso da mamona e pinhão manso para a produção de óleo combustível estão bastante avançados. Segundo ele, o objetivo é melhorar todas as etapas de produção destas duas espécies, do plantio à colheita, para se chegar a matérias-primas melhoradas. "As pesquisas vão permitir chegar ao bio-óleo do semi-árido com uma melhor qualidade", afirma o especialista, acrescentando que, na atual fase, estão negociando com um país europeu (que ainda não pode ser divulgado) o aporte financeiro de 803 mil euros, durante três anos, para a viabilização do projeto.
No caso no sisal, a recomendação da iniciativa é o aproveitamento integral da fibra, bem como a diversificação do seu uso, indo muito além de indústria de cordoaria (cordas, tapetes, etc). Fernando cita como exemplo a utilização que a montadora Ford baiana está fazendo na indústria automotiva. A fibra vegetal, conhecida pela resistência, está entrando na composição de várias partes dos carros, como teto, painel e maçanetas. "A Ford tem feito um trabalho pioneiro, que pode ser expandido para o mundo inteiro", considera o especialista. A meta é dar destino a todos os subprodutos do vegetal, como no beneficiamento do insulin para a indústria farmacêutica. Assim como no projeto do biodiesel, os 913 mil euros (durante três anos) que serão aplicados no pr,oteto estão sendo captados na Europa.
"O semi-árido representa um bioma muito importante do estado, é dono de uma biodiversidade muito grande, mas precisa dos investimentos certos para que dê um salto. Do contrário, vamos ficar sempre fazendo manutenção de uma situação que se perpetua há muito tempo", considera o diretor da Secti, Sérgio Gomes.
As duas iniciativas do semi-árído integram um projeto maior de cooperação, que vai ser ampliado quando as obras do Parque Tecnológico da Bahia ficarem prontas. Segundo Fernando Machado, no empreendimento vai funcionar o Centro de Promoção de Bionegócios, que apoiará projetos em pequenas e médias empresas. O Parque Tecnológico funcionará na Avenida Paralela e tem previsão de conclusão da primeira etapa no segundo semestre de 2009. O objetivo é gerar inovações científicas atreladas ao desenvolvimento de empresas, renovando a economia do Estado. O investimento previsto para o parque soma R$ 70 milhões, entre investimentos dos governos estadual e federal. (N.G.)