Renegociação privilegia Centro-Oeste

20/11/2008

Renegociação privilegia Centro-Oeste


A linha de crédito agrícola de R$ 500 milhões anunciada ontem pelo governo para refinanciar as parcelas de dívidas vencidas em 15 de outubro (prorrogadas para 12 de dezembro) deste ano é considerada medida discriminatória e de difícil operacionalização, segundo fontes dirigentes de alguns bancos que pediram para não serem reveladas. Elas consideram porque o governo restringiu os créditos apenas aos produtores rurais do Centro-Oeste, uma vez que os mesmos problemas acontecem aos do Rio Grande do Sul e do Paraná.

As fontes avaliam ainda que dificilmente a medida será colocada em prática, pois trata-se de um empréstimo novo para pagar um já vencido e que não foi pago. Por essa razão, tal medida foi chamada de "mata-mata". Neste caso, avaliam que os bancos dificilmente emprestarão os recursos sem a apresentação de alguma nova garantia.

Os dirigentes de bancos avaliam ainda que o governo privilegiou os produtores do Centro-Oeste por conta do poder do lobby que eles têm. E acrescentam que se trata de "um pequeno grupo de produtores que faze muito barulho, não paga as contas e estão usando o problema da crise mundial para continuar não pagando. "Se fosse o problema da crise mundial esse benefício seria estendido para todos os produtores rurais". Para esses bancos, são esses mesmos produtores rurais que enfrentam dificuldade de acessar as linhas de crédito de Adiamento de Contratos de Câmbio (ACC) no setor financeiro pelo fato de estarem com dívidas vencidas. E diante da falta de liquidez no mercado financeiro mundial, os bancos estão retraídos na liberação de crédito, sobretudo a esse grupo de produtores rurais. As principais fontes dos recursos anunciados anteontem são o Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT), Moderfrota e o Produsa, com taxas de juros podem chegar a 10,25% ao ano.