Embrapa terá laboratório virtual também na Ási
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) abrirá um novo laboratório virtual (Labex) na Ásia. A nova unidade da estatal funcionará dentro das instalações da Agência de Desenvolvimento Rural (RDA), em Suwon, nos arredores da capital Seul, na Coréia do Sul. O protocolo que permitirá a parceria foi assinado ontem pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Myung-bak, no Palácio do Itamaraty.
Será o terceiro laboratório da Embrapa no exterior - os outros dois estão nos Estados Unidos e Europa. A parceria com os sul-coreanos, que inclui a instalação de pesquisadores asiáticos no Brasil, permitirá à Embrapa aprofundar os conhecimentos sobre os sistemas de controle sanitário e fitossanitário local para adequar os produtos brasileiros às exigências dos mercados da região.
O novo laboratório será uma porta para os consumidores asiáticos, sobretudo de Japão e China, às carnes brasileiras, ainda impedidas de entrar na Ásia por barreiras sanitárias. "Na produção animal, servirá para conhecermos os sistemas deles e abrir mercados para a carne brasileira", afirma o chefe da Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa, Elísio Contini.
Uma das mais respeitadas e requisitadas instituições de pesquisa no mundo, a Embrapa também terá como plano inicial de sua atuação na Ásia o acesso aos bancos de recursos genéticos para ampliar as pesquisas com materiais de soja. "Vamos ganhar muito em tecnologia e acesso a esses recursos genéticos, sobretudo da soja, que tem sua origem na Ásia", diz Contini.
O acordo com a Coréia do Sul também facilitará a transferência das principais tecnologias dominadas pelos sul-coreanos, como a clonagem de quarta geração para animais - a Embrapa ainda está na terceira geração -, processos de mecanização de lavouras para pequenos produtores, além de princípios específicos de nanotecnologia e até de mecatrônica aplicada à agricultura. Haverá espaço para a captação de pesquisas mais tradicionais, como legumes, cogumelos e frutas.
A Embrapa usará a nova base na Ásia para avançar em negociações bilaterais para a instalação de escritórios virtuais na China, Japão e Índia. "Temos muito interesse na ampliação de nossa atuação na região, rica e desenvolvida do ponto de vista tecnológico", avalia Elísio Contini.
Em visita ao Brasil, o presidente da Agência de Desenvolvimento Rural da Coréia, o economista Soo-Hwa Lee, anunciou a abertura de um laboratório com pesquisadores sul-coreanos no país. Os sul-coreanos têm interesse nas áreas de integração lavoura-pecuária e no desenvolvimento de cultivares resistentes à seca.
Em troca, Lee afirmou a RDA trabalha "fortemente em rede" com países do sudeste asiático, o que beneficiará o andamento das pesquisas brasileiras na região. "A Embrapa poderá acessar conhecimento no Vietnã, Tailândia e outros países da Ásia", afirmou à Agência Embrapa.
O presidente da RDA disse que o Brasil pode ser beneficiado pela aplicação de tecnologias da informação e da nanotecnologia na pesquisa agropecuária. E citou um exemplo de inovação a partir desse experimentos: as pesquisas com a proteína da seda, amplamente utilizada na indústria de cosméticos.
Em reunião na Embrapa Cerrados, o sul-coreano informou que apenas 16% do território de seu país, onde predominam as montanhas, é composto de terras cultiváveis. O arroz é produzido em 80% da área destinada à agricultura. O tamanho médio das propriedades rurais é de apenas 1,4 hectare. "As áreas são pequenas, mas o uso de tecnologia é intenso". Os investimentos em ciência e tecnologia representam 7% do PIB sul-coreano, estimado em US$ 1,2 trilhão.