Participação inédita em pesquisas nos EUA
O laboratório virtual da Embrapa nos Estados Unidos participará, pela primeira vez, de pesquisas em doenças animais conduzidas pelo governo americanos. Médica veterinária com doutorado em virologia, a pesquisadora mineira Janice Ciacci Zanella começou a desenvolver, a partir do último mês de junho, estudos conjuntos com colegas americanos nas áreas de pesquisa, diagnósticos e avaliação e testes de produtos veterinários.
Instalada em um novo complexo de cerca de US$ 400 milhões do Centro Nacional de Doenças Animais (NADC), na cidade de Ames, no Estado de Iowa, a pesquisadora da Embrapa Aves e Suínos, de Concórdia (SC) - importante pólo brasileiro de produção de carnes -, espera influenciar na aplicação de pelo menos parte do orçamento de US$ 75 milhões destinados às pesquisas em doenças animais para algumas áreas de particular interesse do Brasil, como as enfermidades de suínos.
Janice também terá condições de participar de pesquisas envolvendo questões ligadas à segurança em alimentos, doenças da produção e emergentes, além de experimentos com a genômica funcional.
O Brasil tem especial interesse em pesquisas de vacinas contra brucelose, tuberculose, "scrapie", diarréia bovina viral (BVD), doenças respiratórias de aves e suínos, doenças de animais silvestres, influenza suína, além de salmonella e clamídia.
"Estamos no melhor laboratório de pesquisa em sanidade animal do mundo", resume Janice, que mudou-se para a pequena cidade do Meio-Oeste americano, grande celeiro de grãos, com três filhos e o marido, um professor da Universidade Federal de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que é especializado em pesquisas sobre doenças de animais silvestres.
A especialidade de Janice Zanella é a síndrome reprodutiva e respiratória de suínos (PRRSV), ainda não detectada no Brasil, mas que causa um prejuízo anual de aproximadamente US$ 600 milhões nos Estados Unidos.
Ela se dedica à produção de uma vacina contra esse vírus mutante. "Aqui é uma posição estratégica para conhecer a estrutura da doença. Em caso de uma eventual ocorrência da PRRSV no Brasil, estaremos preparados", diz a pesquisadora.
E completa: "Vim aprender alguns macetes. Por exemplo: a influenza suína, que é mutante e despista os testes mais rigorosos, abre as portas para outras doenças secundárias, como pneumonias e viroses desse animais. Vamos, aqui, desenvolver técnicas mais rápidas e sensíveis para detectá-la".
A pesquisadora brasileira também conduzirá alguns experimentos para produção de vacinas contra a circovirose e a doença de Aujeszky, principais problemas da suinocultura nacional. No caso da influenza suína, um projeto auxiliado por Janice testa medidas de controle e transmissão dessa doença entre suínos selvagens e domésticos.
"É algo muito importante para regiões produtoras como o Mato Grosso do Sul, onde esses animais silvestres estão presentes", afirma ela. "A identificação rápida e eficaz auxiliará os orgãos de defesa animal a controlar essa enfermidade".
Como parte de sua missão nos Estados Unidos, Janice Zanella também tentará facilitar o intercâmbio bilateral entre pesquisadores, uma tarefa que nem sempre se mostra simples.
"Como a sanidade animal na Embrapa é bastante diversificada, com muitas espécies e problemas diferentes para cada região do país, vamos formar uma equipe multidisciplinar, com pesquisadores-chave em espécies e questões prioritárias para o Brasil", afirma ela. (MZ)