Ritmo de queda de preços agrícolas em SP se acelera
O ritmo de queda dos preços agrícolas voltou a se acelerar no campo e no atacado de São Paulo na última semana, segundo levantamentos divulgados ontem pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado - e na segunda-feira pela RC Consultores.
O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários paulistas pesquisado pelo IEA, encerrou a segunda quadrissemana de novembro com variação negativa de 1,4%, a maior baixa desde o início de outubro. Já o indicador da RC que mede o comportamento dos preços no atacado da capital recuou 1,7% no intervalo entre os dias 8 e 13, o maior tombo desde meados do mês passado.
No campo, mostra a pesquisa do IEA, houve quedas tanto na média do grupo composto por seis produtos de origem animal (3,41%) quanto no grupo dos 13 produtos vegetais (0,64%).
Entre os produtos de origem animal, só o leite B subiu (0,23%). A maior baixa foi sentida pelos produtores de carne suína (16,67%), seguida pelos de ovos (9,23%), de leite C (7,09%), de carne de frango (1,87%) e de carne bovina (0,82%).
Segundo o IEA, explica a forte retração da carne suína o aumento da oferta de produtos mais baratos provenientes de Santa Catarina - que recentemente enfrentou problemas para vender para a Rússia, como informou o Valor. A carne de frango, por sua vez, subiu em parte puxada pelo aquecimento das exportações.
Entre os vegetais, o destaque foi a desvalorização do feijão (39,38%), cujo mercado refletiu os primeiros lotes da safra de verão que começou a ser colhida em São Paulo, conforme o IEA.
Também recuaram a batata (23,91%), o tomate para mesa (17,09%), o amendoim (14,66%), o milho (8,69%), o café (3,35%), o trigo (0,5%) e a soja (0,14%).
Subiram, em contrapartida, os valores recebidos pelos produtores de banana nanica (9,59%), laranja para mesa (7,22%), arroz (2,53%), cana (1,77%) e laranja para indústria (0,56%). Não fosse a alta da cana, cujo valor bruto da produção representa mais de 30% do total estadual, o IqPR teria caído 3,68%, segundo o IEA.
No atacado, determinaram a queda do indicador da RC entre 8 e 13 de novembro as baixas de feijão (9,3%), carne suína (7,7%), soja (7,2%), café (2,4%), arroz (2%), leite C (1,3%), trigo (0,6%), leite B (0,2%), milho (0,1%) e açúcar (0,1%). Aumentaram no atacado as cotações de tomate (29,2%), batata (12,3%), algodão (1,4%), boi gordo (1,4%), algodão (1,4%) e ovos (0,7%). O frango abatido permaneceu estável.