Que sirva de alerta...

24/11/2008

Que sirva de alerta...


 

Hoje, cerca de 360 municípios de oito estados nordestinos enfrentam a seca. Diante de um quadro que parece se perpetuar, a única esperança do povo que mais sofre com os reveses do clima quente é que "só Deus mesmo é quem dará um jeito". Ter acesso à água potável ainda é um sonho para muitos brasileiros. O assunto foi mostrado, semana passada, em uma matéria veiculada em noticiário nacional de TV.

É o cenário que conhecemos do sertão nordestino. Em diversos municípios, nem caminhãopipa chega para matar a sede da população. Na melhor das hipóteses, os poços de água (salobra) podem servir apenas para lavar utensílios.

Para conseguir água limpa, muitos nordestinos andam quilômetros a pé, debaixo de um sol escaldante e com as marcas do sofrimento no rosto.

Pode parecer assustador e até mesmo desanimador, mas a situação deve piorar com as projeções de aquecimento global do planeta.

Os reflexos serão observados na agricultura brasileira nas próximas décadas, como mostra estudo apresentado este ano pela Embrapa Informática Agropecuária e Unicamp. Eduardo Delgado Assad e Hilton Silveira Pinto, coordenadores da pesquisa "Aquecimento global e cenários futuros da agricultura brasileira", avaliam o impacto do aumento da temperatura sobre a agricultura nos anos de 2020, 2050 e 2070.

No pior cenário, haverá redução de áreas produtoras e prejuízos econômicos de cerca de R$ 7,4 bilhões, em 2020, e de R$ 14 bilhões em 2070.

A pesquisa avaliou o futuro de culturas que hoje são a força do agronegócio baiano, como a soja e o algodão, no oeste, e a mandioca, no semiaacute;rido, bem como a cana-de-açúcar.

O Brasil tem condições de mitigar os efeitos das mudanças climáticas - como incentivar o plantio de espécies resistentes à seca, aplicar a técnica de plantio direto, integrar a lavoura e a pecuária, dentre outras soluções. É começar a agir.