Menor impacto para cana
Nas próximas décadas, a cultura poderá se espalhar em 17 milhões de ha
De acordo com o estudo da Embrapa/ Unicamp, dentre as culturas avaliadas, uma das que menos sentirão os efeitos do aquecimento global será a canade-açúcar, que hoje possui área potencial de seis milhões de hectares, com previsão de atingir, em 2020, 17 milhões de hectares cultivados e um valor de produção de R$ 29 bilhões. A estimativa anima o único grande produtor do Vale do São Francisco, a Agrovale, presente na região norte do Estado há 36 anos.
Em área totalmente irrigada, a empresa produz aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de cana, em 15,9 mil hectares. Aparecendo no cenário industrial como uma das maiores produtoras de açúcar do Nordeste, e com investimentos na usina de álcool, tem capacidade de produzir 450 mil litros/dia.
No cenário que prevê um aumento de temperatura entre 1,4° C e 3,8° C até 2100, esse aumento será, segundo o estudo, o grande aliado para que a produção de cana no Brasil ganhe terreno. Locais considerados hoje com maior risco para a cultura, principalmente a Região Sul, com maior incidência de geadas, por exemplo, podem apresentar melhores condições para o plantio. Para a Agrovale, no entanto, "implantar a empresa numa região seca e de solo atípico para a produção da cana-de-açúcar, como o Vale do São Francisco, foi um grande desafio".
E o desafio deu certo e é em Juazeiro que está a maior concentração canavieira da Bahia, com 31% da produção estadual, seguida de Caravelas (7%), Mucuri (6%), Terra Nova (5%), Amélia Rodrigues (4%) e Medeiros Neto, Eunápolis, Santo Amaro e Cocos, com 3% cada uma.
A Agrovale realiza monitoramento agrometeorológico através de uma estação climatológica eletrônica e rede de pluviômetros espalhados por toda a área de cultivo. Segundo Ademário Araújo Filho, gerente de Agronomia da empresa, a pesquisa indica que o plantio da cultura da canade-açúcar deve crescer, mas não indica as regiões que receberão este aumento de área.