Incentivo ao plantio direto
Boas práticas de manejo contribuem para o seqüestro de carbono
Ao anunciar os resultados das pesquisas sobre o efeito do aquecimento global em culturas brasileiras, os pesquisadores da Embrapa/ Unicamp destacaram medidas preventivas, indicando técnicas alternativas de trabalhar na agropecuária, que podem reduzir as emissões de gases nocivos e até mesmo auxiliar na tarefa de tirar da atmosfera os gases de efeito estufa, minimizando o problema.
O Sistema de Plantio Direto (SPD) e a Integração Lavoura Pecuária (ILP) são dois métodos diferenciados de fazer agricultura, considerados altamente eficientes no seqüestro de carbono, segundo o pesquisador da Unicamp e um dos coordenadores da pesquisa, Hilton Silveira Pinto. "O Brasil é um dos poucos, senão o único país do mundo com área e tecnologia capazes de ter escala na redução das emissões de gases de efeito estufa".
De acordo com o presidente da Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), Ingbert Döwich, na região do cerrado baiano, onde o SPD foi introduzido em 1997, nos mais de 900 mil hectares plantados com soja no Estado, em cerca de 800 mil hectares são adotadas algumas práticas conservacionistas. No milho, cerca de 80% fazem o SPD parcial e, no algodão, 30%.
A APDC abrange oito Estados e, conforme Ingbert, tem entre suas metas a missão de levar ao conhecimento da comunidade os benefícios do SPD, não apenas para o solo onde é implantado, mas na conservação dos recursos hídricos subterrâneos e de superfície, bem como na redução de emissão de gases.
Sobre o resultado da pesquisa Embrapa/Unicamp, anunciando a redução de áreas aptas ao cultivo nos próximos anos, Ingbert é enfático. "Acho que podemos fazer uma leitura diferente em cima desses prognósticos e ver de maneira positiva, aproveitando para fazer uma projeção e sair na frente com medidas sustentáveis e ambientalmente corretas para a agricultura".