Caetité enfrenta crise na agricultura e turismo

24/11/2008

Caetité enfrenta crise na agricultura e turismo

 

Pequenos agricultores e produtores rurais são as primeiras vitimas da repercussão sobre a água contaminada por urânio na zona rural de Caetité, semiaacute;rido baiano, a 757 km de Salvador. O principal sintoma é sentido no bolso, provocado pela rejeição da clientela a hortifrutigranjeiros, derivados do leite e até farinha de mandioca, principal produto do distrito de Maniaçu, onde fica a província uranífera da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil), a 30 km do centro da cidade.

Nos domingos, dia de feira-livre no distrito, era comum os comerciantes negociarem entre dois e três caminhões carregados, cada um, com mais de 60 sacas de 50 kg de farinha. A realidade agora é outra, com a venda restrita a pouco menos de 10 sacas, conforme declara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetité, Genilton Xavier da Silva.

Aos poucos as casas de farinha fecham as portas e o desemprego cresce, seguido do êxodo rural. Até uma escola infantil, localizada na comunidade de Lagoa do Barro, foi abandonada. “Não ficou claro na audiência pública sobre quem vai pagar a conta dos prejuízos causados aos produtores por conta desses problemas, que na verdade vem ocorrendo ao longo dos anos”, assinala o dirigente. “Se não houver alternativa, os produtores terão que desistir da lavoura, por isso convocamos reunião esta semana para enviar uma pauta de reivindicações às autoridades competentes”, enfatiza Silva.

REIVINDICAÇÕES – O dirigente antecipa que vai solicitar audiência com a diretoria da INB para propor, dentre outras questões, a compra dos produtos agrícolas pela estatal para consumo em seu refeitório. “A situação é muito preocupante e vamos cobrar da empresa uma melhor comunicação com os moradores”.

De acordo com o sindicato, que tem 15 mil filiados, cerca de 22 mil pessoas residem na zona rural de Caetité e a maioria depende exclusivamente da agricultura de subsistência. “Existe uma invasão de produtos de outros municípios porque a população rejeita os daqui”.

O agricultor Valdemar Batista, conhecido como “Lourinho”, não cansa de protestar contra as análises, ao discordar que a água seja responsável pelos problemas de saúde da população. Residente na mesma fazenda onde o poço teve a água foi lacrado, depois de constatada contaminação, Lourinho disse que é o maior prejudicado pelas notícias.

REJEITADOS – Desde que os fatos ganharam repercussão, o agricultor só contabiliza prejuízos. Ele destaca que os produtos da sua roça são rejeitados na cidade e que até a compra de leite foi suspensa pela cooperativa de laticínios de Lagoa Real. A direção da empresa confirma o veto ao leite produzido na fazenda de Lourinho, alegando que aguarda as análises técnicas e a decisão da Justiça.

A agricultura familiar de Caetité responde por 1,3 mil hectares de mandioca, 700 de algodão, 650 de cana-de-açúcar 930 de feijão, 700 de milho e 420 de café. A rede hoteleira possui sete hotéis, cinco pousadas, um motel e uma pensão, perfazendo um total de 398 leitos.