Expansão da moagem de cana será menor
O arrefecimento dos investimentos em usinas no Brasil vão limitar o crescimento da próxima safra de cana-de-açúcar no País. O primeiro levantamento do ciclo 2009/10 da consultoria Datagro aponta para uma moagem de 588 milhões de toneladas, volume que poderia ser superior a 600 milhões de toneladas se os investimentos do setor tivessem se mantido no mesmo ritmo. No entanto, o volume de moagem previsto é 7,6% maior do que o projetado para a safra atual (546 milhões de toneladas). As alterações no mercado de açúcar e álcool em 2009 vão direcionar o mix de produção. Até o momento, a previsão é de que a produção de açúcar seja a que mais cresça.
"A expectativa é de que a nova safra mundial do produto tenha déficit de 3,301 milhões de toneladas", informa o presidente da Datagro, Plínio Nastari. E o Brasil deve produzir na safra 2009/10 (que começa em abril) 32,9 milhões de toneladas de açúcar, 9,6% mais que os quase 31 milhões previstos para a safra atual, segundo a Datagro. "E os preços desta commodity serão definidos pelo mercado de álcool hidratado no Brasil", acrescenta Nastari, referindo-se à opção das usinas brasileiras de alterarem seu mix de produção, conforme a variação da atratividade entre açúcar e álcool. As exportações brasileiras do produto devem crescer para 21,3 milhões de toneladas no próximo ciclo, ante as 18,8 milhões projetadas para esta safra.
Já a produção de etanol no próximo ciclo avançará 6% para 27,7 bilhões de litros, conforme o levantamento da consultoria. Está projetada uma forte retração nas exportações, sobretudo para os Estados Unidos. Devem ser embarcados na próxima safra 3,45 bilhões de litros, queda em 1,15 bilhão de litros em relação ao esperado para este ciclo. "Os Estados Unidos que comprarão até o final desta safra 2,25 bilhões de litros vão, no próximo ciclo, importar do Brasil menos de 1 bilhão de litros. Estamos estimando 950 milhões de litros", afirma Nastari.
Ciclo 2008/09
Para esta safra, a Datagro manteve a projeção de setembro de moagem de 546 milhões de toneladas, mesmo com as chuvas que continuam atingir o Centro-Sul. Isso porque a expectativa é de que as usinas continuem a moagem em janeiro. A consultoria também reduziu em 250 milhões de litros a previsão de consumo de álcool hidratado no mercado interno até o final deste ciclo, considerando uma reação a uma menor renda do brasileiro nos próximos meses.