Sistema de cacau cabruca: preservando os mananciais

09/12/2008

Sistema de cacau cabruca: preservando os mananciais

 

"O cacau é uma cultura agroflorestal que, durante 250 anos, gerou divisas e riquezas para a Bahia e para o País, sendo reconhecida como a atividade agrícola que menos impactos provoca no bioma Mata Atlântica", diz o presidente da Associação de Produtores de Cacau (APC), Henrique Almeida.

Almeida destaca também que 70% do cacau da Bahia é cultivado debaixo das copas das florestas, dentro de um sistema agroflorestal chamado cabruca. Além de proteger a cobertura florestal, a cabruca preserva o habitat para a biodiversidade local.

Biodiversidade - Esta situação concorre para que o sistema de cacau cabruca seja responsável pela manutenção de um dos maiores blocos contínuos de Mata Atlântica do Nordeste brasileiro, sendo importante para a conservação da biodiversidade, do solo e da água, além de fazer a conexão entre fragmentos de floresta nativa, os chamados corredores ecológicos.

Almeida, entretanto, acredita que a cabruca pode ser rentável, através de um modelo sustentável, com apoio da pesquisa, para viabilizar o plantio e o corte de espécies nativas, como a guanandi ou o pau-brasil, que conseguem ótimos preços no mercado. Todavia, para ter um plano de manejo sustentável, segundo o produtor, é preciso alterar a atual legislação, que não permite sequer a retirada de galhos das árvores.

Um dos pontos fundamentais da cabruca é manter a cobertura vegetal sobre as nascentes dos mananciais que abastecem as cidades da região, daí o cuidado que se deve observar na condução do manejo.

Henrique Almeida, que participou do Diálogo do Cacau, promovido por ONGs ambientais e socioambientais, destacou que o evento acontece num momento em que o governo federal lança o PAC do Cacau e anuncia R 2,2 bilhões para a região cacaueira do sul da Bahia. Apesar do interesse dos governos federal e estadual em resolver as questões do cacau, frisa, os produtores estão insatisfeitos como o processo vem sendo conduzido, porque a proposta apresentada não se ajusta à realidade vivida pelos cacauicultores.