Moagem de cana em dezembro será recorde

11/12/2008

Moagem de cana em dezembro será recorde


A safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul, que representa cerca de 88% da moagem do Brasil, terminou para um número pequeno de usinas. Até 30 de novembro, apenas 43 usinas tinham concluído a safra, ante as 99 unidades ate mesmo dia de 2007. Isso significa que em 1º de dezembro, 279 usinas ainda estavam moendo cana no Centro-Sul, segundo a consultoria Datagro. O clima menos chuvoso até então proporcionou a extensão atípica da moagem. "Algumas usinas vão moer até o dia 20 de dezembro. Umas quatro ou cinco anunciaram que vão prosseguir até janeiro", conta Plínio Nastari, presidente da Datagro. Com isso, há potencial para se moer em dezembro em torno de 10 milhões de toneladas de cana a mais do que o previsto no Centro-Sul. Assim, segundo Nastari, o volume de cana em pé, estimado até então em 40 milhões de toneladas (ou 7,7% do total disponível) pode ficar em 30 milhões de toneladas (ou 5,7% do total disponível).

O mês de novembro com poucas chuvas ajudou a recuperação da moagem no Centro-Sul, que foi prejudicada no começo da safra com muitas precipitações. De acordo com levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na segunda quinzena de novembro foram moídas 30,23 milhões de toneladas, 45,62% mais do que o realizado na mesma quinzena de 2007.

Levantamento da Datagro mostra que em novembro choveu 44,3% menos no estado de São Paulo - principal estado produtor - do que na média dos últimos 30 anos. Nas regiões sucroalcooleiras, o menor volume de precipitações foi ainda maior, como em Piracicaba, onde choveu no mês 78,2% menos que a média histórica, São José do Rio Preto, com chuvas 76,3% menores e Araraquara, 51,8% inferior.

De acordo com a Unica, o volume acumulado de cana moída desde o início da safra é de 468,63 milhões de toneladas, volume que até o final da safra deve atingir a estimativa da entidade, 487 milhões de toneladas, sobretudo pelas condições favoráveis do clima nos dez dias de dezembro.

Júlio Maria Borges, da JOB Consultoria, mantém a projeção da empresa de moagem de 490 milhões de toneladas até o final da safra. "Em outubro, previmos que novembro e dezembro seriam meses relativamente secos e que a moagem seria recorde na comparação com safras anteriores", diz Borges. A estimativa da JOB Consultoria é de que em dezembro serão moídos cerca de 22 milhões de toneladas, 30% maior do que os 17 milhões de toneladas de dezembro de 2007.

Até ontem, praticamente não havia chovido em dezembro no estado de São Paulo, segundo a Somar Meteorologia, mas a partir de hoje até o início da próxima semana, a condição está mais para chuvosa do que para seca. "Nas regiões de Ribeirão Preto e Araçatuba, por exemplo, hoje até o início da próxima semana a condição é de chuva em níveis suficientes para parar a moagem", diz Paulo Etchichury, da Somar Meteorologia.

De forma geral, a avaliação é de que a continuidade da moagem em dezembro é positiva, pois é possível diluir o custo fixo da usinas em mais dias de produção. Mas, a qualidade da cana é menor, segundo Nastari, o que significa que as usinas vão moer mais bagaço, e também terão custo industrial maior. A qualidade mais baixa da cana no final de safra é mais favorável à produção de álcool. "O mix tende a ficar entre 62% e 64% para álcool, ante a média de 60,5% de toda a safra", compara Nastari.

Qualidade para 2009

Mas um baixo volume de chuvas em novembro e dezembro traz perspectiva de baixo rendimento agrícola para a cana da próxima safra, segundo Borges, da JOB Consultoria. "Exatamente o quanto o comprometimento será afetado dependerá das chuvas de Verão", afirma Borges.

Nastari, da Datagro, diz que além do clima, o pouco uso de fertilizante afetará o crescimento da oferta de cana para o ano que vem. "Há dois anos, a moagem cresceu 63,3 milhões de toneladas, este ano, 55 milhões, e em 2009, será algo entre 40 milhões e 45 milhões", avalia o presidente da Nastari. Outro problema previsto para o ano que vem é falta de manutenção industrial, por falta de capital das usinas. "Teremos muitos problemas de quebra de equipamentos", antevê Nastari.