CTNBio aprova variedade de milho inédita no País
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem, em sua última reunião do ano, o milho Herculex, resistente a herbicida e insetos e inédito no Brasil. Conforme a Gazeta Mercantil já havia antecipado, os produtores brasileiros deverão ter acesso à nova tecnologia a partir do próximo ano. A comissão encerra as atividades com o maior volume de liberações comerciais em um único ano desde a sua criação, em 1995. Ao todo foram 8 aprovações, sendo três vacinas e cinco sementes. A semente aprovada na reunião de ontem é de propriedade da Du Pont do Brasil S.A., licenciado para a divisão Pioneer Sementes e Dow AgroSciences Industrial Ltda., sendo aprovado por 16 votos a favor e 5 contra.
O presidente da CTNBio, Walter Colli, destaca a liberação do produto como emblemática, pois coloca à disposição do País uma tecnologia similar às encontradas no mundo. "Mas ainda temos muito a fazer para chegar no nível internacional", disse. No total, a comissão avaliou e aprovou mais de 530 processos em 2008, entre pedidos e cancelamento de licença, liberação planejada, entre outros. Número maior que o ano anterior, quando 425 pedidos foram liberados. Ele não concorda que a instituição tenha caído em descrédito no final de 2007. "Fomos muito atacados e isso diminuiu".
Para Colli, as mudanças de alguns membros foram o ponto de partida para essa melhora. "Eram pessoas ligadas ao meio ambiente que resistiam mesmo diante das evidências seguras apresentadas". Segundo ele, as últimas aprovações foram rápidas porque já são usadas em outros países há pelo menos dez anos. "Sabemos melhor como elas se comportam. Já as tecnologias inéditas contarão com mais atenção por nunca terem sido testadas", avalia.
Alda Lerayer, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), revela que o milho resistente a inseto é importante para segurança alimentar. Ela explica que os buracos da lagarta do cartucho nas espigas de milho abrem espaço para fungos que produzem microtoxinas prejudiciais à saúde humana e animal. "Isso acaba sendo um desastre principalmente para quem cria aves e suínos, que usam milho como base da ração. Além disso, quem consome esses produtos pode ter problemas".
Colli diz que as bactérias e leveduras poderão fazer parte das pautas futuras. Disse que a sacarose como fonte de carbono será a base da indústria química no futuro. "Essas tecnologias, além da cana com 50% a mais de sacarose, precisam ser estudadas. São produtos inéditos".