Multiplicação rápida e certeira
Quem cultiva mandioca conhece bem o método tradicional de se iniciar novos plantios usando pedaços do caule da planta. Porém, nesse cultivo, o produtor esbarra em uma série de desvantagens, como número pequeno de manivas-sementes (pedaços do caule) que consegue tirar de cada planta, a disseminação de pragas e doenças para as áreas do novo plantio e queda na produtividade da lavoura.
Segundo pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, a mandioca é uma planta propagada comercialmente de forma vegetativa, por meio de pedaços do caule, com baixa taxa de multiplicação. Porém, uma técnica de multiplicação rápida recomendada pela própria Embrapa apresenta-se como uma boa opção para enfrentar esses problemas.
O método está sendo disseminado há quatro anos no Campo Demonstrativo de Tecnologias para Cultivo da Mandioca, na Fazenda Novo Horizonte, no município de Tancredo Neves (a 261 km de Salvador), considerado o maior espaço com tecnologias geradas para mandioca em todo o Brasil, com um total de 10 hectares. No centro, são preparadas mudas para produzir material de plantio nas quatro câmaras de propagação, onde são distribuídas 250 miniestacas. A multiplicação rápida de novos plantios de mandioca já beneficia 33 comunidades no município.
Sadias - O pesquisador da Embrapa José Raimundo Ferreira Filho explica a técnica que permite ao produtor fazer a multiplicação mais rapidamente. O principal objetivo é conseguir maior quantidade de mudas de mandioca fortes e sadias.
"Com esse sistema, seria possível multiplicar rapidamente material originário de limpeza de meristema, reduzindo custos e cortando etapas o tempo necessário para levar material melhorado no campo", disse.
Multiplicação rápida, frisa, supera o inconveniente da baixa taxa de multiplicação e disponibiliza maior quantidade de mudas vigorosas e sadias em curto espaço de tempo.
"Envolve o uso de técnicas melhoradas para aumentar rapidamente a quantidade dos materiais de plantio. Além de aumentar a taxa de multiplicação da raiz, pode ser empregada em outros casos", salienta Raimundo.
A técnica é simples e de baixo custo. Foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa sobre Agricultura Tropical da Colômbia (Ciat), na década de 80, e é considerado um sistema simples e barato, podendo ser usado por pequenos agricultores. "O sistema de multiplicação rápida de mandioca é simples, barato e aumenta bastante o fator de multiplicação por planta/ano.
Consiste, basicamente, na indução à brotação e no enraizamento dos brotos. A meta é a produção de hastes e só se utilizam as sadias e livres de doenças e pragas".
Tradicional - Pelo sistema atual, de acordo com o pesquisador da Embrapa, a partir de uma planta adulta se obtém aproximadamente dez estacas do tamanho comercial (20 cm), as quais, após um ano plantada no campo, produzem em torno de 100 estacas. "Com o método de multiplicação rápida, a partir de uma planta adulta, obtém-se 25 miniestacas de dois nós (4 cm de comprimento), cada um dos quais oito a dez brotos, totalizando 200 a 250 brotos.
Ao final de um ano, as plantas desenvolvidas a partir de cada broto podem produzir dez estacas comerciais (20 cm), obtendo-se, assim, um total de duas mil a 2,5 mil estacas", ressalta.
Estrutura - Para a construção de estufas, recomenda-se montar a estrutura de madeira revestida com plástico, materiais que o produtor tem na própria propriedade. "O revestimento da estufa tem que ser bem-feito para evitar que a água da chuva contamine a água dos vasos. O plástico deve ser transparente e resistente, para a luz do sol passar por ele e criar um ambiente necessário para acelerar o processo, com alta temperatura e alta umidade relativas", destaca Raimundo.
Segundo a pesquisadora Wania Fukuda, a Embrapa fez algumas experiências com produtores em Pernambuco e Ceará, além do Recôncavo e sudoeste baianos. "A maioria dos produtores acha a técnica complicada quando compara com o método tradicional, onde a maniva é colocada no chão. O agricultor não valoriza a maniva, só na hora de plantar. No semi-árido, as sementes são largadas no chão e são variedades diferentes. Já os produtores de milho e soja guardam as sementes para plantar na época da chuva", conta.
Wania ressalta ainda que a falta de sementes de manivas no Nordeste é grande porque a taxa de multiplicação é de uma planta para cinco manivas. "A multiplicação rápida, que é excelente, pode ser usada em qualquer local e a idéia é obter sementes limpas e aumentar rapidamente a quantidade de material para plantio", finalizou.