Oeste ganha indústria de processamento de milho

29/12/2008

Oeste ganha indústria de processamento de milho

 

A instalação de uma indústria de grande porte no processamento do milho no município de Luís Eduardo Magalhães, com capacidade de absorver 165 mil toneladas/ano, está gerando expectativa entre os produtores, que vendiam a produção para o consumo regional e dos estados do Nordeste, principalmente para alimentação animal. Dentre os três principais produtos agrícolas do cerrado baiano (soja, algodão e milho), que, na próxima safra, devem ocupar 1,5 milhão de hectares, o milho é o único que ainda é vendido para os estados do Nordeste praticamente 100% na sua forma primária.

"É fundamental a implantação de indústrias de processamento de milho na região para agregar valor à produção regional e garantir ao produtor novas fontes de consumo", ressalta o empresário rural Célio Zuttion. "A maior parte dos produtos industrializados a partir deste grão e consumidos na região vem de outros estados, principalmente de Goiás", diz.

A indústria do grupo Coringa, com sede em Arapiraca (AL), já está em fase de construção, iniciando a segunda etapa do Distrito Industrial de Luís Eduardo Magalhães. A previsão de conclusão é para o segundo semestre de 2009, quando deverá entrar em funcionamento, processando a produção da safra atual.

Emprego - A produção de fubá, flocos de milho, canjica, dentre outros derivados do milho, vai gerar, na primeira etapa, cerca de 200 empregos diretos. Para assegurar a consolidação da indústria, que tem um investimento estimado em R 30 milhões, o governo da Bahia assinou protocolo de intenções com a empresa, concedendo incentivos fiscais e financeiros. A previsão de faturamento anual do grupo na Bahia é de R 200 milhões.

"Podemos estimar um valor agregado de R 145 milhões para o Estado, que passa, assim, a ser abastecido pelos produtos processados aqui", afirma o superintendente estadual de política do Agronegócio, Eujácio Simões. Ele ressalta que a produção regional excede, em muito, o que será consumido pelo grupo Coringa e que outras indústrias devem ser atraídas.

Zuttion aponta novas formas de consumo do milho na própria região, como o fomento da pecuária de confinamento e a produção de suínos e aves. "Isso, porque temos as condições ideais também para estes segmentos", acentua.

Safra - A cultura, que começou a se expandir no cerrado baiano no início da década de 90, por vários anos foi a segunda colocada na região em relação à área plantada. Na safra 2004/2005, o algodão assumiu o segundo lugar e o milho caiu para o terceiro, permanecendo até hoje. Durante esses anos, as áreas destas culturas e de soja, que sempre esteve na liderança, foram crescentes. Para a safra 2008/2009, cujo plantio está no final, o milho do cerrado deve alcançar uma área de 180 mil hectares, com perspectiva de produzir 1,2 milhão de toneladas.

Os dados foram elaborados pela Associação dos Agricultores da Bahia (Aiba) com informações de diversas entidades e órgãos ligados ao agronegócio, bem como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e apontam uma redução de 2,7% em relação à área da safra passada e 9,3% a menos na produção deste grão. O milho não está com bons preços, o que desmotiva a classe produtora. "O produtor espera melhores preços, que chegaram a R 25 e R 27 a saca de 60 kg em junho e julho de 2008 e no final do ano caíram para R 16 e R 17", informa Zuttion.