Venezuela compra búfalo baiano
Neste mês em que líderes da América Latina e Caribe vieram dos seus países à Bahia para discutir questões comuns, 350 búfalas baianas estão fazendo o caminho inverso: seguem daqui para a Venezuela. Até o início de 2009, o gado permanece em quarentena no Pará, de onde serão levados, de navio, para pequenos agricultores.
Os búfalos da raça Murrah, voltado para a produção leiteira, eram criados nas fazendas Natal, em São Sebastião do Passé, e Govinda, em Alagoinhas, propriedades de Urbano Souza Filho.
"Não teremos nenhuma queda no rebanho em termos de número. O gado integrava o plantel nascido em 2006. Os animais de ponta (cerca de 800 matrizes) continuam conosco, destinados à produção de leite", diz Urbano, que é dono do Laticínio Natal, um dos maiores do Brasil na produção de leite de búfala.
Até 2010, o Brasil deve exportar mais 12 mil búfalos para a Venezuela. Nesta rodada, os animais baianos se juntam ao gado do Pará, maior criador nacional, e Maranhão. A exportação é financiada pelo Banco Agrícola da Venezuela e Banco de Fomento dos Andes, segundo informações do governo bolivariano.
Em transmissão, no início do ano, do programa televisivo Alô, Presidente, o presidente Hugo Chávez afirmou que o país receberá um navio mensal com búfalo e novilhos da raça girolando do Brasil e holando, do Uruguai. A Venezuela espera chegar ao segundo lugar em rebanho do setor da América Latina.
Exportação - O presidente da Associação Búfalos Bahia (Abuba), Marcello Nunes de Abreu, considera a exportação um marco histórico para os criadores de bubalinos do Estado. "É uma vitória não só dos bubalinocultores, mas de toda a pecuária da Bahia, uma vez que somos considerados zona livre da aftosa", aponta Marcello Abreu. Casos da doença - um dos principais empecilhos à exportação - não são registrados na Bahia há 11 anos.
O aumento na demanda do búfalo deve forçar a subida dos preços da arroba do rústico animal. A avaliação do diretor da associação dos criadores é compartilhada pelo veterinário Antonio Vicente Dias, da Divisão Gado de Leite da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). "Até mesmo porque o rebanho estadual é muito pequeno", frisa Antonio Vicente. De acordo com o IBGE, há menos de vinte mil cabeças de gado bubalino no Estado. As estimativas da Abuba indicam 50 mil.
AGRICULTURA FAMILIAR - A destinação dos búfalos é um programa de fomento à produção leiteira e segurança alimentar para pequenos e médios agricultores na nação vizinha.
"O governo venezuelano entendeu o grande potencial que o búfalo representa para os agricultores familiares cujas propriedades se localizam em regiões úmidas e subúmidas.
É importante que se faça uma reflexão interna para disponibilizar este potencial para os agricultores familiares dos territórios cuja área de abrangência se estende pelas regiões semelhantes na Bahia", defende o técnico da EBDA.
O leite de búfalo, além de ser uma alternativa a pessoas alérgicas ao leite de vaca, tem 30% a mais de sólidos (proteínas, vitaminas e sais minerais), o que aumenta a produtividade na indústria de laticínios. A carne do animal, por sua vez, tem 56% menos calorias, 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura, 10% mais proteínas e 11% mais minerais do que a carne bovina.