Açaí: alternativa de geração de emprego e renda no sul da Bahia
Nativo da região amazônica, o açaí não era conhecido no sul da Bahia há 15 anos, quando começou a ser plantado como cultura economicamente viável. Aos poucos, a palmeira foi ganhando espaços e, hoje, se constitui em alternativa de diversificação e geração de emprego e renda nos municípios de Ilhéus, Maraú, Arataca, Una e Uruçuca, segundo o produtor João Eduardo Tavares, que introduziu a cultura na região.
Juntos, esses municípios produzem 300 toneladas de polpa/ ano, das quais, 98% vão para as duas indústrias instaladas na região. A produção não é suficiente para atender à demanda regional em expansão, e os comerciantes ainda têm de comprar a polpa no Pará, conforme Tavares, que afirma: em fevereiro vai receber um estudo de viabilidade econômica que encomendou à Ceplac.
No entanto, já adianta: a produção de um hectare de açaí custa R$ 3 mil e a rentabilidade chega a R$ 10 mil. A região tem condições de produzir dez mil toneladas/ ano, sem precisar devastar os remanescentes de mata atlântica, usando só as áreas já desmatadas. O produtor ainda não detectou pragas em sua plantação, mas a mais comum é a brocado-coco, provocada por uma lagarta, que fura e mata a haste atacada. O remédio é cortar a área afetada.
MATURAÇÃO - Com sementes compradas na Ceplac, os primeiros pés de açaí foram plantados por Tavares em 1994, em sua fazenda em Ilhéus, apostando que o fruto teria mais sucesso que a cultura da pupunha, produtora de palmito para as fábricas da região. Desde o início, seu projeto era industrializar. A região só tem duas fábricas. Uma, é a dele, também em Ilhéus. A outra fica em Arataca. Tavares usa máquinas tradicionais, fabricadas em Belém, que são simples como o manejo da cultura.
O ponto de maturação para a transformação em polpa é de até três dias após a colheita. Depois, fermenta e estraga. Atualmente, o produtor intensifica o estímulo aos agricultores que desejam produzir açaí, distribuindo gratuitamente sementes, com o objetivo de comprar deles toda a produção. Na região já existem 200 produtores, entre médios e grandes. A região tem perspectiva de produzir mil toneladas em três anos e ele trabalha um novo projeto para aumentar para cinco mil toneladas em sete anos. A pesquisadora Maria das Graças Parada diz que a Ceplac vem estimulando o plantio entre os agricultores da região de Ipiaú, para aproveitar a abertura de mercado com as duas fábricas instaladas na área.
PRODUÇÃO - Segundo Eduardo Tavares, sua intenção é estimular também a produção de polpa com o vinho retirado do fruto da juçara, palmeira nativa que fornece palmito de melhor qualidade, cujo corte é proibido por lei, porque a palmácea é espécie ameaçada de extinção.
Além de mais rica e saborosa que a do açaí, a polpa do fruto da juçara é 500 vezes mais rentável que o palmito, motivo para acabar com a exploração ilegal. Tavares destaca o prejuízo ambiental com o corte da juçara, já que, do plantio à produção, a palmeira leva 15 anos.
O açaizeiro é uma planta rústica, que gosta de sol, não exige cuidados especiais e começa a produzir de três a cinco anos depois de plantado. Maria das Graças Parada recomenda uma análise do solo, porque o açaí precisa de fósforo e potássio, como todas as palmáceas. Além de saborosa, a polpa é um antioxidante, considerada um energético, rica em ferro e potássio.