Cacauicultores discutem dívidas

07/01/2009

Cacauicultores discutem dívidas

 

É com expectativa que cacauicultores baianos aguardam o encontro com agentes financeiros, hoje à tarde, na Secretaria Estadual de Agricultura. Oficialmente, a reunião tratará do perfil da dívida dos agricultores e da prorrogação do prazo de adesão ao Plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira, o PAC do Cacau.

Mas produtores da região veem além: contam com a possibilidade de ampliação da carência e do prazo de pagamento e observam o desempenho do secretário Roberto Muniz, que, com a reforma administrativa do governador Jaques Wagner, substituiu Geraldo Simões, político oriundo da região cacaueira.

"Desta vez, mais que qualquer outra coisa, estaremos na reunião como observadores", assinalou o produtor Thomas Hartmann, que espera ouvir no encontro algo que signifique a possibilidade de tornar viável a renegociação de dívidas. "É impossível cumprir as regras definidas", dizia ontem José Carlos Soares de Assis, da Associação dos Produtores de Cacau do Estado.

Sobrecarregados por dívidas que se acumulam desde que a vassoura-de-bruxa começou destruir as plantações de cacau no sul do Estado, há 20 anos, e agravadas pelo compromisso assumido em 1995, com o primeiro plano de recuperação da lavoura, ao reconhecerem débitos que nunca conseguiram quitar - inclusive porque as ações de recuperação do cultivo tiveram um resultado muito aquém do esperado -, cacauicultores baianos temem novas dificuldades.

O PAC do Cacau, que propõe a renegociação e estimula a diversificação agrícola na região, oferece carência de quatro anos e de 12 meses para o pagamento dos valores renegociados. Condições, na opinião da maioria dos produtores, impraticáveis. "Eu teria que gastar o dobro do valor total da produção, durante anos, para pagar a dívida", explica Hartmann, que defende a expansão dos prazos, o que diluiria os valores pagos mensalmente.

BANCOS - Responsáveis por traçar um perfil da dívida dos cacauicultores, técnicos do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste apresentarão esse levantamento ao secretário Roberto Muniz, que promove uma segunda reunião em menos de um mês. Muniz espera estender o prazo de adesão ao plano - encerrado em novembro e prorrogado para março - até junho.

Cacauicultores baianos viveram, em 1995, a experiência mal-sucedida do primeiro plano de recuperação da lavoura. Feito em etapas, previa providências culturais e soluções genéticas que resultariam num crescimento da produção média na região em cinco anos - algo em torno de 100 arrobas por hectare. "Mais de uma década depois, a produção não ultrapassa 15 arrobas/ha", diz Assis.