Produção de grãos deve ser 8,7% menor
O Brasil poderá perder cerca de 10 milhões de toneladas de suas safras de soja e de milho este ano devido à seca prolongada, segundo declarou ontem o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
O clima seco que castiga as regiões produtoras dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e na região oeste de Santa Catarina deverá contribuir para uma queda da produção de milho em cerca de 5 milhões de toneladas. Com isso, a oferta deverá ficar em aproximadamente 50 milhões de toneladas, conforme cálculos de Stephanes em entrevista concedida à Bloomberg em Brasília. Com isso, o total será 8,08% menor que a estimativa feita pela Companhia Nacional de Abastecimento de produção de 54,4 milhões de toneladas formulada no mês passado pelo Ministério da Agricultura.
Os produtores de soja, também afetados por essas adversidades climática, deverão colher não mais que 53 milhões de toneladas, 9,8% abaixo dos 58,8 milhões de toneladas previstos para a safra 2008/09 pela estatal no mês passado.
O clima quente e seco ameaçou o rendimento da safra no Brasil e na Argentina, os maiores exportadores mundiais de milho e de soja depois dos Estados Unidos. A Informa Economics Inc. reduziu terça-feira suas projeções para a produção de milho e soja nos dois países devido à estiagem.
Recuperação
Os danos causados pelo clima na região Sul da América do Sul provocou forte impacto nas bolsas de commodities internacionais. Apesar do ajuste ocorrido pelo efeito de indicadores negativos da economia mundial e a queda dos preços do petróleo, os preços dos grãos mantêm-se em alta neste início do ano.
A cotação do milho, que se havia recuperado 3,7% desde o início da semana, caiu ontem 2,5%. O mesmo ocorreu com a soja, que mantinha um ganho de 3,9% até terça-feira, caiu ontem 2,5% em Chicago.