Vale produz mais frutas de clima frio

12/01/2009

Vale produz mais frutas de clima frio

 

A região do Vale do São Francisco, conhecida pela força na produção e exportação de manga e uva, carros-chefe da fruticultura irrigada, terá reforço no mercado a partir de novos experimentos da Embrapa Semi-Árido (Petrolina/PE). Frutas acostumadas a climas amenos e sem registros de produção em regiões quentes como no norte da Bahia começam a se mostrar uma alternativa de cultivo no período em que as culturas estão na entressafra em suas regiões de origem.

Maçã, pera e caqui são as três frutas que estão em fase experimental numa área da Embrapa no Projeto Bebedouro em Petrolina. Além delas, há ainda estudos com pêssego, ameixa, oliva, rambutã e mangostão. O primeiro plantio experimental de pera teve início em 2005 e hoje os pesquisadores já tem 400 plantas com 18 variedades de pera. Mas ainda é preciso ter cautela até que os agricultores possam começar o plantio. A expectativa é de que a fruta tenha espaço garantido a partir de junho.

A aposta nas novas culturas é positiva e os pesquisadores esperam que, com a liberação dos recursos, possam dar andamento ao projeto, assegurando que no primeiro ano de produção já haverá dinheiro suficiente para cobrir os custos do projeto. Segundo o pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes, "tudo que estamos fazendo aqui é experimento, não existe em climas semelhantes nem podem ser encontradas em literaturas", frisa.

Experimento - A primeira fruta a ser cultivada na região como experimento foi o caqui. No País, o registro que se tem da fruta é de que vem da Espanha ou Israel com preços de R 50 o quilo em mercados de São Paulo. A idéia dos pesquisadores é fazer com que a produção possa ser desenvolvida entre julho e dezembro, quando as culturas do Sul e Sudeste estão em período de entressafra. Entre setembro e novembro, os pesquisadores observaram que houve queima de frutos devido a radiação solar.

Já as 440 macieiras plantadas na região, em um ano devem produzir 6 kg da fruta cada uma. A cultura que também se mostra ousada aos raios fortes do sol do sertão vai resistindo às altas temperaturas e teve sua primeira colheita em dezembro, e um matrizeiro já está sendo criado para produção de mudas.

O sucesso da produção e da sustentação dessa cultura na região é esperado por pesquisadores e agricultores, em especial porque é uma cultura que precisa de 500 horas de frio por ano, agora produzida no semi-árido. "Estamos muito animados com a macieira. Os pés estão carregados e isso sob sol escaldante do sertão nordestino", anima-se o pesquisador Paulo Roberto.

Dedicação - Coberta com sacos de papel para proteger o fruto da ação dos passarinhos, as peras fazem companhia às maçãs e aos caquis na área de experimento da Embrapa Semi-Árido. O destino, assim como o da uva e da manga, é vislumbrado como a próxima fruta de força na produção do Vale do São Francisco. Assim como a uva, a pera é produzida em locais de clima frio, tradicionalmente cultivada nos Estados das regiões Sul e Sudeste.

Mas, assim como a uva, o caminho para novas moradas vai se estabelecendo e aparece como uma alternativa a mais de plantio comercial nas áreas irrigadas da região. Acompanhando os resultados das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, a pera se revela grande e bonita, de polpa macia e doce ao clima quente que possui pequenas variações ao longo do ano.

"Verificamos novas formas de manejo para que as novas culturas, a exemplo da pera, se adequem às condições ambientais do sertão nordestino. Os estudos já são realizados há quase quatro anos e estamos encontrando soluções para superar a necessidade das horas de frio que a frutífera requer para produzir nas áreas onde é cultivada", explica o pesquisador Paulo Roberto Lopes. Ele assegura que há viabilidade e que a cultura pode ser comercializada em pouco tempo.