Usinas mantêm moagem na entressafra

12/01/2009

Usinas mantêm moagem na entressafra

 

Pela primeira vez na história do setor sucroalcooleiro um número considerável de usinas do Centro-Sul do país iniciou o mês de janeiro em plena atividade de moagem. Cerca de 30 unidades, boa parte instalada em São Paulo e no Paraná, ainda processam cana-de-açúcar, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Anna Carolina Negri/Valor
 
A decisão de manter a moagem durante a entressafra tem pelo menos dois motivos: maior oferta de matéria-prima e necessidade das usinas de fazerem caixa. A safra 2008/09 na região baterá novo recorde em volume de cana, aproximando-se de 500 milhões de toneladas. Mesmo assim, a estimativa do mercado é que pelo menos 40 milhões de toneladas deixarão de ser colhidas nesta safra, por conta do atraso do início da moagem com as chuvas de abril e maio do ano passado. E a crise financeira pela qual o setor passa levou algumas unidades a manterem a colheita como garantia para a maior venda de açúcar e álcool. 

"Com a moagem em janeiro, os volumes de produção no Centro-Sul deverão ser revistos", disse Padua. A última estimativa da Unica apontava uma moagem de 487 milhões de toneladas de cana para a região. No entanto, a produção poderá se aproximar da primeira estimativa divulgada pela entidade no início da safra, de 498 milhões de toneladas. Cerca de 3 milhões de toneladas de cana adicionais em janeiro deverão se somar aos volumes moídos até o fim de dezembro. O setor também prevê que entre 30 milhões e 40 milhões de toneladas cana deixarão de ser moídas. 

Tradicionalmente, as usinas de açúcar e álcool encerram a moagem de cana no Centro-Sul no fim da primeira quinzena de dezembro. "São poucas as unidades, cerca de três ou quatro no máximo, que mantêm o processamento em janeiro", disse Padua. 

Nesta safra, excepcionalmente, há usinas que podem até emendar a colheita atual com a da próxima temporada, a 2009/10, que terá início entre março e abril deste ano, afirmam fontes ouvidas pelo Valor. Em São Paulo, as usinas que continuam em plena atividade estão concentradas nas regiões oeste e noroeste do Estado. 

O grupo Equipav é um deles. As duas usinas do grupo viraram o ano com as moendas ligadas. "A moagem dessas unidades deve se encerrar nos próximos dias", disse José Carlos de Toledo, acionista da Equipav. Com duas unidades em operação - a Equipav, em Promissão (SP), e a Biopav, de Brejo Alegre (SP), inaugurada no fim de outubro, a companhia tem ainda outros dois projetos do, que somam R$ 1 bilhão, programados para Goiás e Mato Grosso do Sul. No entanto, por causa da crise financeira global, foram adiados. 

No Paraná, pelo menos 10 empresas iniciaram janeiro moendo cana. Segundo José Adriano dias, diretor-superintendente da Alcopar (Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná), a moagem deve alcançar 43,5 milhões de toneladas, mas 10 milhões de toneladas adicionais deverão ficar nos canaviais. 

A continuidade do processamento da matéria-prima em toda a região Centro-Sul vai depender do clima. Só as chuvas podem interromper os trabalhos.