Desempregados no campo já passam de 700

13/01/2009

Desempregados no campo já passam de 700

 

Com o registro de novas demissões, a fruticultura baiana é o setor agrícola que mais vem sentindo os efeitos da crise econômica. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), as empresas Barreto Santa Fé, Palmer Agropecuária e Cotfruti, localizadas no município de Casanova, demitiram juntas 150 trabalhadores nos últimos dias. Outros 60 foram dispensados pela Bil Prax, em Umburanas. Com o anúncio, no último sábado, de 500 demissões na empresa Logus Butiá, em Curaçá e Petrolina (PE), já são 710 demitidos na fruticultura. Já o segmento de grãos ainda não sofreu impactos negativos e está mantendo os níveis de produção e de emprego.

"Estamos muito preocupados e buscando negociar com os proprietários a manutenção dos postos de trabalho", disse o presidente da Fetag, José Antônio da Silva. Segundo ele, a situação mais crítica é no Vale do São Francisco, que produz principalmente manga e uva. "É um problema difícil de ser tratado, porque depende do consumo externo, que caiu", explicou.

Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria da Agricultura informa que está adotando medidas para tentar reverter a situação da fruticultura baiana. O secretário Roberto Muniz tem realizado reuniões regulares com os produtores na tentativa de retomar a capacidade produtiva do setor. Entre as medidas, está a intermediação do governo do Estado na renegociação das dívidas vencidas de custeio, já que os insumos para produção sofreram os efeitos da variação do dólar.

A Seagri informa também que está tentando viabilizar o acesso a novos créditos para garantir o custeio e as exportações da próxima safra. Há ainda a possibilidade de criar uma câmara setorial permanente - formada por representantes do governo, produtores e agentes financeiros - para acompanhar o setor passo a passo e, principalmente, estudar medidas preventivas à crise.

A fruticultura baiana é responsável por uma bem-sucedida trajetória no mercado internacional, com uma movimentação financeira de US 124 milhões em 2008. Os principais destinos das frutas e suas preparações são Países Baixos (Holanda), EUA, Reino Unido e Portugal. O segmento é composto de polos agroindustriais especializados na produção de polpas, sucos, concentrados e doces.

Grãos - Com um mercado interno forte, a produção de grãos na Bahia ainda não sente os efeitos da crise econômica, ao contrário do que vem acontecendo com a fruticultura, no qual as demissões já começam a preocupar produtores e trabalhadores. De acordo com o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Walter Horita, se o consumo destes gêneros se mantiver, a previsão inicial é conservar os níveis de emprego e de produção de soja, algodão e milho, os principais produtos da região oeste do Estado, onde são gerados cerca de 25 mil postos de trabalho.

"Não dependemos somente da exportação. Cerca de 60% da soja e do algodão são para o mercado interno, por exemplo", explicou. Outro fator que favorece este setor é a possibilidade de armazenamento, o que não acontece com as frutas. "Estocar faz com que o produtor ganhe musculatura para negociar o preço, o que não acontece com as frutas, que têm de ser logo comercializadas e às vezes é preciso baixar o preço para conseguir exportar", comentou Horita.