Mero: Coibindo a pesca
Pesquisadores do Laboratório de Genômica Evolutiva e Ambiental, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), desenvolveram marcadores genéticos a partirdegenesque diferenciam o peixe mero de outros pertencentes a sua família - a dos serranídeos -, como as garoupas e badejos, de alto valor pesqueiro.
Desenvolvidos no final do ano passado pelo Projeto Meros do Brasil (www.merosdobrasil.org) para identificar o mero, que pode ser confundido com espécies "irmãs", como a garoupa ou o badejo, os marcadores genéticos são enzimasque, aoseremcolocadas em contato com a musculatura do animal, produzem uma reação específica, confirmando a sua identidade.
O teste é realizado em postas e filés de peixe, vendidos em mercados e feiras, quando há suspeita da comercialização ilegal do mero pela fiscalização, tendo em vista que dificilmente esse peixe é identificado quando já houve a retirada da cabeça e barbatanas.
Apropostadospesquisadores é coibir a pesca do mero, cuja captura e comercializaçãosãoproibidas pelaPortaria 42/2007 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Eles acreditam que provaradiferençagenéticaentre as espécies semelhantes é primordial no combate à pesca ilegal da espécie.
"Ao obtermos uma mostra de carne, podemos provar que elaédemeroeoIbamatembase científica para aplicar as penas cabíveis", diz o biólogo Rodrigo Torres, coordenador da área de genética do projeto "Meros do Brasil: estratégias para a conservação de ambientes costeiros e marinhos do Brasil", iniciado em 2002.
Há, no entanto, um problemanocombateàpescadomero e que é, na avaliação de Torres, omaisdifícildeseresolver: a falta de informação dos pescadores.
Muitos deles não conseguem pegar, num dia inteiro, uma quantidade de peixes que dê esse peso. Então ele 'ganha o dia' se achar", destaca.
O mero, quando pescado, é vendido, geralmente, como carne de badejo a um preço quevaria de R$10 a R$15 o quilo.
"Há estados, como o do Pará, onde a pesca é feita livremente.
Dessa forma,atendência é acontecer o mesmo que houve na Costa da África: não se vê mero lá há 10 anos. Para nós, isso é um desastre", diz.
AGREGAÇÃO - No Brasil, os meros são vistosemmaior número no Vale do Ribeira (SP), no Rio Formoso e Tamandurá (PE),emSãoFranciscodoSul e Baía de Babitonga (SC) e em NovaViçosaeCaravelas, extremosul baiano,ondehá pontos deagregaçãodomero,cujapopulação é desconhecida.
"A pesca,mesmocomoIbama atuando, ainda é feita. Por isso, não temos nem como estimar a quantidade de meros que há hoje no País. Só sabemos que ela vemdiminuindo", diz o biólogo Rodrigo Torres.
O gerente executivo nacional do projeto e coordenador do Ponto Focal Bahia é o oceanólogo Paulo Beckenkamp, também da ONG Associação de Estudos Costeiros e Marinhos.
A idéia, diz ele, é investir emaçõesdepesquisa, gestão e educação ambiental, sobretudo dos pescadores.