Perda de exportação soma US 8,3 bilhões
O desaquecimento do comércio mundial após o agravamento da crise econômica fez as exportações brasileiras perderem US 8,3 bilhões em apenas três meses, entre outubro e dezembro do ano passado. O tombo nas vendas externas reflete a menor procura por produtos no mercado internacional e a forte queda nos preços das commodities - efeitos da recessão nos países mais ricos e da desaceleração dos emergentes, como a China. A constatação é da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB, que representa 300 empresas responsáveis por 90% da balança comercial brasileira). Pelo valor médio diário das exportações em 2008, seria como se o País tivesse suspendido seus embarques durante dez dias desde a piora da crise, em setembro.
Pelos cálculos da AEB, os setores exportadores mais prejudicados foram mineração e metálicos (deixou de exportar US 3,349 bilhões no último trimestre de 2008), petróleo e derivados (US 2,454 bilhões), agronegócio (US 1,891 bilhão) e manufaturados em geral (US 651 milhões). Segundo José Augusto de Castro, vice-presidente da associação, as perdas surpreenderam o mercado, já que a retração era aguardada só a partir deste ano. "Existe historicamente uma defasagem de três meses entre o início das crises e seus efeitos sobre a balança comercial. Mas essa crise é tão grave que nos atingiu muito antes. Contratos já foram renegociados ou suspensos, preços e volumes caíram. Muitos diziam que os emergentes não seriam atingidos. Mas não é o que estamos vendo".
O governo brasileiro reconheceu os prejuízos causados pela crise, mas defendeu que a queda foi menor. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, as perdas somaram US 7,1 bilhões entre outubro e dezembro, valor que considera tanto a turbulência da crise quanto os problemas climáticos que afetaram a produção agrícola do Sul do País. Os prejuízos com as chuvas seriam de US 2 bilhões, segundo o governo, valor que a AEB considerou superestimado. "A safra estava praticamente toda colhida quando ocorreram as fortes chuvas, e o preço dos produtos agrícolas teve uma variação muito pequena", afirma Castro.
As exportações de commodities foram as mais abaladas na crise. Só em minério de ferro a perda foi de US 1,58 bilhão, com menos 22 milhões de toneladas embarcadas. As vendas para a China, maior consumidor, caíram 10,86% em novembro e 1,7% em dezembro. No grupo petróleo e derivados, o petróleo bruto exportado pela Petrobras respondeu por US 1,98 bilhão do impacto total. Segundo Castro, o motivo foi a queda dos preços internacionais, de US 688,7 para US 320,2 a tonelada. O Brasil exporta o produto principalmente para os Estados Unidos.
Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Nelson Pereira dos Reis, a turbulência foi maior em dezembro, quando foram embarcados 9% menos frente o mesmo mês de 2007. A redução ocorreu também com a menor procura na União Europeia (UE) e no Mercosul, onde as indústrias têm mais estoques: "Uma das maiores quedas veio do consumo da indústria automobilística. Os bens duráveis estão neste momento mais problemáticos e afetaram o nosso desempenho, que era crescente".