Infraestrutura prevê queda nos negócios este ano
A indústria de bens de capital prevê desaceleração nos negócios ao longo deste ano, como efeito da crise financeira mundial. Levantamento feito pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) com os principais empresários do setor mostra, porém, que a expectativa para este ano ainda é produzir entre 5% e 10% mais do que no ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses terminados em novembro de 2008, a produção de bens de capital cresceu 17,9%.
Paulo Godoy, presidente da Abdib, diz que alguns segmentos dentro do setor deverão sofrer mais do que outros o impacto da crise, como a indústria de bens sob encomenda para os setores de siderurgia, mineração, cimento e papel e celulose.
As indústrias de equipamentos para as áreas de energia elétrica, petróleo e gás, para ele, já terão mais demanda devido às iniciativas para concessão de crédito de longo prazo. "Maior demanda em alguns setores deve compensar a queda em outros, até porque alguns projetos já estão em andamento. Na média, achamos que ainda haverá crescimento neste ano. O cenário mais incerto é para 2010".
Os empresários estão preocupados, segundo ele, com o desempenho da economia chinesa. "A perspectiva é que a China coloque no mercado internacional o que não for absorvido no mercado chinês, como forma de compensar a queda na atividade interna". O setor reunido na Abdib emprega, segundo Godoy, cerca de 250 mil pessoas. Segundo ele, o emprego vai seguir o comportamento da demanda dos setores e, na média, deverá ser mantido neste ano.
Crédito - A injeção de R 100 bilhões no BNDES anunciada pelo governo federal foi bem recebida pelo setor. "Fortalecer o funding do BNDES é crucial para minimizar os efeitos da crise no mercado interno. Se caminharmos no sentido de fortalecer o crédito de longo prazo, haverá compensação em relação ao emprego e à atividade", diz. Quanto aos investimentos do setor, segundo Godoy, haverá ligação direta com as concessões públicas e as demandas dos diversos setores. "O setor vai investir mais ou menos na medida em que houver demanda", afirma Godoy.
O encolhimento expressivo das linhas de crédito dos bancos às empresas e a queda brutal da demanda agregada são os principais fatores que estão levando muitas companhias a adiarem ou suspenderem bilhões de reais de investimentos no Brasil.