Orgânico ganha selo de qualidade

26/01/2009

Orgânico ganha selo de qualidade

 

O Brasil conta com 15 mil produtores de alimentos orgânicos, sendo que 85% deles são pequenos produtores e provenientes da agricultura familiar, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No País, são mais de 20  empresas certificadoras deste tipo de alimento. Resultado: confusão para o consumidor que não sabe se está sendo enganado na compra das frutas e verduras vendidas como orgânicas.

Para solucionar este problema, a partir de 2010, o consumidor irá encontrar nas gôndolas dos supermercados e nas feiras de alimentos orgânicos um selo, ou um certificado, para garantir a boa procedência do alimento.

O selo será emitido pelo Mapa, e os pequenos produtores poderão exibir nas quitandas o certificado comprovando sua qualidade. As regras preveem a fiscalização no cultivo, colheita e armazenamento. Os produtores terão até o final de 2009 para se inscreverem no ministério.

Rogério Dias, coordenador de Agroecologia do Mapa, justifica a importância do processo de produção orgânica, por sua responsabilidade social, ambiental e pela sustentabilidade. “É um setor que está crescendo em quantidade e ampliando sua distribuição geográfica”, diz Dias.

Mesmo sem dados sobre cada Estado, Dias afirma que a Bahia tem tido um envolvimento grande com as iniciativas na área de alimentos orgânicos. “Hoje, os principais problemas com os orgânicos é que os consumidores ou não encontram o produto, ou não têm certeza sobre a procedência, ou eles estão muito caros”, critica Dias.

Como o tratamento do solo, para o plantio, permite uma diversidade de nutrientes, estes alimentos ganham na porcentagem de minerais, o que soma mais um benefício para a saúde. Para Dias, também falta aos consumidores terem conhecimento destas vantagens para seu corpo, e não optarem pelo produto apenas pelo preço que vão pagar.

A baixa produção é uma das razões dos fornecedores para justificar o preço dos produtos. Eles variam entre 10% a 15% mais caros, que os da agricultura convencional. Raimundo de Seixas, proprietário do restaurante natural Botica da Vovó, compara ao afirmar que um frango orgânico leva sete meses para chegar aos dois quilos, enquanto o não-orgânico leva 45 dias.

Mesmo assim, o consumidor Dorgival Carvalho não abre mão de comprar alimentos mais saudáveis. “Está aqui perto da minha casa e sei que tem uma boa procedência, não tem porque não comprar”, avalia Carvalho.

Já o produtor Orlando Dias, com plantação em Muritiba, interior da Bahia, salienta que os produtos orgânicos possuem até um sabor diferenciado. Suas plantações já são certificadas e afirma que, além do selo, os governantes devem pensar em uma ajuda programada para os pequenos produtores.

“A escala de produção é bem menor. E, muitas vezes, perdemos uma produção inteira por causa das pragas”, reforça Dias sobre o problema corrigido na agricultura convencional com agrotóxicos, que o produtor chama de “veneno”. “É preciso abrir os olhos dos consumires sobre o que eles estão comendo”.