Queda na área abre espaço para valorização

29/01/2009

Queda na área abre espaço para valorização

 

A expectativa de queda mundial na área plantada poderá potencializar a reação nos preços internacionais do algodão até o final deste ano. A commodity foi a única que não voltou ao patamar anterior à crise mundial. Enquanto produtos como soja, milho e trigo voltaram ao mesmo nível de 1º de outubro, o algodão desabou 11,2% na Bolsa de Nova York (CME Futures). Com a desaceleração da economia mundial, especialistas explicam que a fibra seria a mais atingida. Porém, lembram que é a única com potencial de "represar" a demanda e a primeira a reagir após a normalização do mercado.

Nos Estados Unidos, um dos maiores produtores mundiais da fibra, a expectativa do mercado é que a área recue cerca de 10%, para cerca de 3,32 milhões de hectares. Se essa tendência se concretizar, será a terceira redução seguida no país e a segunda menor área dos últimos 100 anos. Países como China e Índia também anunciaram redução do cultivo da fibra. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês), afirma que o consumo mundial da fibra cairá 5% neste ano, para 116,5 milhões de toneladas. Os estoques finais também devem recuar 5,6% para 58,7 milhões de toneladas.

Alguns produtores brasileiros acreditam que a área menor seria um fator importante para amparar a valorização da fibra. No entanto, continuam acreditando que o mercado interno será a melhor opção pelo menos até o final deste ano. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma redução de 20,7% na área cultivada deste ano, para 854 mil hectares. No entanto, João Luiz Pessa, produtor em Mato Grosso e ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), avisa que a valorização pode não chegar ao produtor. "Com a falta de liquidez no mercado, precisamos avaliar como as vendas serão administradas para conseguir o melhor preço. Com menos compradores, o potencial de negociação do produtor fica reduzido".

Miguel Biegai Júnior, analista da Safras & Mercado, revela que tudo indica para redução nos EUA. Ele lembra que o relatório oficial de intenção de plantio só será divulgado no final de março. "A desvalorização do algodão ocorreu em um momento de decisão do plantio. Por isso, acredito que a redução seja praticamente certa". Disse ainda que o produto foi o único entre os principais que teve recuperação tímida. Segundo informou, se a expectativa de queda se confirmar, os preços podem reagir com força até o final deste ano. "É normal o algodão sofrer com a crise, porém quando a demanda subir virá na mesma proporção que caiu".

Produtor em Chapadão do Céu (GO), Luiz Renato Zapparoli é um pouco mais cauteloso com a recuperação. Ele acredita que a recuperação efetiva só ocorrerá em 2010. "A relação estoque e consumo no mundo ainda está muito alta, cerca de 50%. Isso deverá segurar qualquer valorização por enquanto". Com relação à queda na área plantada no mundo, ele explica que China e Índia subsidiam a produção interna para evitar o êxodo. Por isso, não acredita em grandes reduções nesses países.

Segundo Pessa, se a queda de área for superior ao recuo do consumo no mundo a possibilidade de valorização aumenta muito.