Parcerias aceleram ritmo de avanço da Ceagesp

29/01/2009

Parcerias aceleram ritmo de avanço da Ceagesp

Em expansão nos últimos anos tanto em volume físico movimentado quanto em faturamento, a estatal Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) comemora 40 anos em 2009 preparada para estreitar as parcerias com a iniciativa privada, afinar a gestão e iniciar uma nova fase de relacionamento com consumidores finais. Gustavo Lourenção/ Valor

Rubens Costa Boffino, diretor presidente da Ceagesp: aposta em parcerias colaborou para melhoria dos resultados
 
Segundo Rubens Costa Boffino, diretor presidente da Ceagesp desde o primeiro semestre de 2008, graças a ações envolvendo parcerias e gestão - além de uma maior demanda por alimentos, impulsionada por programas oficiais e pelo aumento do poder aquisitivo - os resultados já foram expressivos no ano passado, deixando definitivamente de lado discussões como a privatização da companhia ou a mudança de localização do entreposto da capital paulista. 

"São páginas viradas", disse Boffino sobre os dois temas que há anos alimentam o noticiário. Em 2008, conforme balanço preliminar, a receita operacional da Ceagesp totalizou R$ 63,3 milhões, 25,9% mais que em 2007. As atividades de entrepostagem responderam por R$ 42,1 milhões, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior; as de armazenagem geraram receita de 21,2 milhões, um salto de 64,9%. 
 
A Ceagesp administra 13 entrepostos atacadistas de produtos hortícolas e flores - o da capital e 12 no interior. Por eles passaram 3,85 milhões de toneladas em 2008, 2,5% mais que no ano anterior, com um volume financeiro equivalente de R$ 4,74 bilhões, 10,5% mais. As frutas, com destaque para a laranja, representaram 52,5% do volume total, de acordo com a companhia.

No caso da armazenagem, que inclui 19 unidades em operação (são 34 no total), entraram 1,09 milhão de toneladas de produtos no ano passado, 54% mais que em 2007. Graças às parcerias com agroindústrias privadas de peso, açúcar e trigo foram os principais produtos armazenados na rede. 

"Para nós, a crise financeira está abrindo portas. Muitos produtos estavam ficando pouco tempo armazenados, mas agora esse período aumentou", disse Boffino. Assim, o índice de ocupação da divisão passou de 19,43%, em 2007, para 45,25% em 2008. 

Ainda que planeje melhorias tecnológicas, desenvolva um nova plano de cargos e salários para os funcionários e tenha um projeto para a criação de uma TV corporativa no biênio 2009-2010, a Ceagesp ainda enfrenta limitações para investir por conta de uma dívida de cerca de R$ 30 milhões dos tempos de sua federalização, em 1997. 

Com isso, os investimentos da Ceagesp somaram apenas R$ 3,9 milhões em 2008, mas, ainda assim, 35% acima dos aportes de 2008. Apesar das restrições, Boffino informa ter em seu orçamento atual R$ 9 milhões para investimentos. "Com as parcerias, conseguiremos multiplicar esse valor por quatro", calcula. Entre as prioridades, está a criação de uma rede para armazenagem de álcool, em parceria com cooperativas e usinas sucroalcooleiras. "A formatação já foi iniciada e teremos um projeto-piloto já em 2009", afirma. 

Boffino diz que, apesar da mudança de cenário na economia, a Ceagesp conseguirá manter seu ritmo de crescimento este ano. Em média, e incluindo carne e pescado, um quilo de produto vendido na Ceagesp saiu R$ 1,24 em 2008.