BNDES socorre fruticultores de Juazeiro

30/01/2009

BNDES socorre fruticultores de Juazeiro

 

A renegociação de um estoque de dívidas estimado em R$ 200 milhões, associada a linhas de financiamento para capital de giro, fornecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve servir de alento para que os exportadores de frutas de Juazeiro enfrentem a crise financeira internacional.

O compromisso de financiar a produção de frutas na região foi anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião  com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Juntas, as duas unidades da federação respondem por cerca de 40% das exportação de frutas in natura do País.

A perspectiva é que a fruticultura seja incluída no Programa Revitaliza, do BNDES, que prevê financiamentos com juros que variam entre 6,75% ao ano a 9% ao ano. O banco deve destinar pelo menos R$ 170 milhões para o setor.

Por outro lado, após negociações com o Banco do Nordeste (BNB) e o próprio BNDES, os produtores arcam apenas com alíquotas que variam de 2% a 5% da próxima parcela das dívidas. O benefício vem para que sejam mantidas as condições de adimplência do setor,  com o consequente reforço à  competitividade dos produtores do Vale do São Francisco.

O presidente da Câmara de Exportação de Frutas de Juazeiro, Ivan Pinto da Costa, explica que a crise atingiu a fruticultura justo no momento no qual os produtores passariam a contar com a “janela de exportações”, que compreende o período de novembro a janeiro.

Ele afirma que a produção local destinada ao mercado externo ficou em torno de 60 mil toneladas, porém os preços despencaram de maneira abrupta.

Apenas para se ter uma ideia, o valor do quilo da uva caiu de uma média  de US$ 2,50, registrados na safra passada, para
US$ 0,80, conferidos na mais recente “janela de exportações”.

A desaceleração nos preços dos produtos exportados foi tão forte que nem mesmo a apreciação cambial – a desvalorização do real ante o dólar – conseguiu compensar a queda dos preços. “A queda de preços é ainda mais grave considerando que, neste período, de novembro a janeiro, praticamente não há uvas no mercado internacional, e os preços, normalmente, tenderiam a subir”, destaca Costa.

Empregos – O secretário  da Agricultura, Roberto Muniz, observa que a fruticultura é um setor de importância estratégica para a economia baiana, tendo em vista a geração de pelo menos 120 mil empregos, entre diretos e indiretos.

O secretário acrescenta que, além do recuo nos preços, os produtores de frutas ainda viram  a demanda dos seus principais mercados – EUA e Europa –  ser reduzida por conta da crise. A fruticultura ainda foi vítima de questões climáticas.

Por conta do excesso de chuvas,  Juazeiro perdeu temporariamente a capacidade de fornecer duas safras, o que deprimiu mais ainda as perspectivas da região.