Caprinos e ovinos protegidos
Uma vacina aprovada recentemente pelo Ministério da Agricultura traz novas esperanças para os produtores de caprinos e ovinos de todo o País. Testes com a vacina viva atenuada Linfovac - realizados em sítios da cidade de Londrina (PR) e na Estação Experimental de Caraíbas, em Jaguarari (a 400 km de Salvador) - apresentaram níveis de prevenção de até 97% em animas contaminados com a linfadenite caseosa, doença popularmente conhecida como mal-do-caroço.
A patologia é causada por uma bactéria denominada corynebacterium pseudumtuberculosis, que infecta os nódulos linfáticos superficiais do animal, formando pus caseoso semelhante ao da tuberculose.
Além de atingir amplamente os rebanhos de caprinos e ovinos em todo o mundo, a linfadenite caseosa também causa prejuízos econômicos incalculáveis para os criadores, uma vez que a pele e a carne do animal contaminado não podem ser comercializadas. A doença também é sinônimo de queda na produção de leite, já que, na maioria dos casos, acomete a mama da cabra.
"Os prejuízos causados pelo mal-do-caroço estão em todas as formas de exploração da caprino-ovinocultura", destaca o veterinário José Arthur Hage, um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da vacina.
Aplicação - José Arthur Hageressalta que, para alcançar resultados positivos, o criador deve aplicar a primeira dose da vacina ainda nos primeiros três meses de vida do animal.
A segunda dose após 30 dias da primeira. Depois, uma vez a cada ano, recomenda Hage. Mas alerta: "Animais portadores de infecção latente podem ter um desenvolvimento rápido da doença clínica, após a vacinação, que se manifesta através da sintomatologia característica da linfadenite caseosa. Por isso, não vacinar animais doentes ".
Para aplicá-la, é necessário agitar vigorosamente o frasco antes e durante a utilização da substância. Além disso, deve-se desinfetar o local da aplicação e fazer o uso de seringas e agulhas estéreis (descartáveis).
Segundo Daniela Name, gerente do departamento técnico do laboratório paranaense Vencofarma, responsável pela distribuição da vacina, o medicamento está no mercado desde o mês de setembro do ano passado e custa em média R 3.
"A vacina pode ser encontrada nas casas de artigos veterinários de todo o País. Confere imunidade celular e rende a aplicação de até dez doses", informa.
Esperança - Para Valentim Fidalgo, diretor de defesa sanitária animal da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), a chegada da vacina ao mercado significa um sinal de esperança para os produtores de ovinos e caprinos.
"Sem dúvida alguma, isto sinaliza um grande progresso, porque, há muitos anos, um número significativo de animais é ceifado pela linfadenite caseosa. Para a Bahia, que possui caprinos e ovinos contaminados com o mal-do-caroço, isso é muito positivo", ressalta Fidalgo.
De acordo com o veterinário Arthur Hage, a Bahia possui cerca de 30% a 40% dos seus caprinos e ovinos acometidos pela doença, a depender da região.
E em casos de contaminação, o ideal é descartar o ovino ou caprino infectado. "A vacina apenas previne a contaminação da linfadenite caseosa em animais sadios. Mas não cura aqueles que já estão acometidos pela doença", pontua o veterinário.
Erradicação - A Adab, em parceria com o Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Federal da Bahia, informa que já estuda uma estratégia sanitária a fim de tentar erradicar o mal-do-caroço no Estado. "Vamos catalogar as zonas mais atingidas. Depois, faremos um programa piloto de vacinação em parcerias com associações e cooperativas, para, daqui a quatro ou cinco anos, avaliarmos o nível de incidência da doença nas regiões onde a vacina foi testada", assinala Valentim Fidalgo.