Adição de biodiesel ao diesel pode subir para 4% ainda em 2009

03/02/2009

Adição de biodiesel ao diesel pode subir para 4% ainda em 2009

 


O percentual de biodiesel adicionado ao óleo diesel pode ser aumentado em 1% ainda este ano. O diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, informou ontem (2/2) que o governo federal estuda ampliar de 3% (B3) para 4% (B4) a mistura com o combustível renovável.

"As análises mostram que teríamos condições de antecipar, eventualmente, o B4 para esse ano. Conversamos sobre o assunto com o ministro [de Minas e Energia, Edson Lobão], que pediu um estudo mais aprofundado para examinar todas as alternativas e o risco", afirmou Lima. "Estamos nesse pé", completou.

Segundo o diretor, o país é capaz de produzir matéria prima suficiente para dar conta da nova demanda. Na estimativa da agência, o Brasil pode produzir até 3 bilhões de litros de biodiesel, mais que o dobro da quantidade consumida em 2008 (1,1 bilhão de litros). "A decisão agora é do ministério", reforçou Lima.

O superintende de abastecimento da ANP Edson Silva também disse que a mudança pode reduzir a importação de diesel. Embora a dependência externa tenha subido de 9,8% em 2007 para 12,7% no ano passado, a adição de 3% representou uma economia de U$ 1 bilhão.

Ainda de acordo com o diretor geral da ANP, o B4 ficará de fora do próximo leilão de biodiesel, previsto para depois do carnaval. No entanto, pode entrar na segunda concorrência, sem data marcada.

O consumo de combustíveis bateu recorde em 2008, com crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior. O consumo de álcool (etanol) puxou o resultado. O Brasil consumiu 19,5 bilhões de litros do produto. O montante representa um crescimento de 28,8% na comparação com o ano de 2007.

RECORDE

O consumo de combustível bateu recorde em 2008. Liderado pelo álcool, foram consumidos no país 105,9 bilhões de litros de combustíveis. O montante representa um crescimento de 8,4% do setor em relação ao ano anterior. O percentual também é recorde para os últimos cinco anos.

Os dados foram divulgados ontem (2/2) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O balanço, divulgado pela agência reguladora, também mostra que o consumo de álcool tomou lugar de outros combustíveis na matriz energética veicular.

Segundo a ANP, o recorde foi motivado, principalmente, pela obrigatoriedade da adição de 2% de biodiesel ao diesel no primeiro semestre e de 3% no segundo, além do aumento da oferta de carros flex (que funcionam tanto a álcool quanto a gasolina).

"A introdução do biodiesel na matriz veicular teve um comportamento extraordinário. Há também a afirmação do etanol hidratado na matriz e as fusões no mercado, que ampliaram a concorrência entre as produtoras e distribuidoras", avaliou o superintendente de abastecimento da ANP, Edson Silva.

No ano passado, o consumo de álcool hidratado cresceu 41,9%, superando o avanço de 2,2% da gasolina A – sem a mistura de álcool. A utilização de álcool anidro – misturado à gasolina- cresceu ainda 7,7%. Os avanços representam 13,9 bilhões de litros consumidos no ano passado ante 9,367 bilhões de litros em 2007.

Já o consumo de óleo diesel avançou 7,7%, devido ao crescimento de mais de 300% dos biocombustíveis, reflexo da adição do combustível renovável ao diesel. O item continua liderando a matriz, com 44.7 bilhões de litros consumidos, no ano passado.

De acordo com a agência, os biocombustíveis (biodiesel e etanol) representam 18,6% do consumo no Brasil. A tendência é que a participação aumente com a entrada no mercado do B4 (diesel com adição de 4% de biodisel), que pode ocorrer ainda este ano.

ÁLCOOL É MAIS VANTAJOSO QUE GASOLINA

Consumidores de 20 estados brasileiros têm mais vantagem em usar álcool que gasolina em carros com motores do tipo flex, ou seja, que funcionam com os dois tipos de combustível.

De acordo com o levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para a última semana de janeiro, é mais vantajoso utilizar o álcool em 20 estados.

Cálculos de especialistas do setor mostram que é melhor utilizar o álcool quando o seu preço é menor que 70% do preço da gasolina, levando em conta o consumo de cada combustível.

Mato Grosso é o estado onde a diferença entre os dois combustíveis é maior. Lá, o preço do etanol equivale a 54,1% do preço da gasolina. Outros estados onde o etanol é competitivo são: São Paulo (54,9%), Pernambuco (59,1%), Paraná (60,6%), Alagoas (61,8%) e Goiás (61,9%).

Entretanto, ainda vale a pena utilizar a gasolina nos estados de Roraima, onde o etanol é 80,4% do valor da gasolina, do Amapá (76,9%), Pará (75,6%), Piauí (75,5%), Acre (71,1%) e Rio Grande do Norte (70,1%). No Distrito Federal (70,1%) também é preferível utilizar a gasolina.

FONTE

Agência Brasil
Isabela Vieira e Sabrina Craide
Repórteres