Produtores avaliam opções de escambo
A liderança dos produtores em Brasília está estudando novas oportunidades de troca de mercadorias com outro países. Para isso, querem utilizar os mesmo moldes da empresa criada pela iniciativa privada no início dos anos 1980, que foi utilizada pela Volkswagem para negociar 170 mil modelos Passat entre 1983 e 1988 em troca de petróleo. A aproximação diplomática seria feita pelo Governo Federal e os parâmetros dos negócios tratados entre as empresas.
"Todo o setor agrícola possui produtos que podem ser utilizados potencialmente na troca. Mas queremos priorizar os fertilizantes, onde a necessidade é maior", destaca Valdir Colatto, deputado federal (PSDB-SC) e presidente da Frente Parlamentar Agropecuária. Ele disse que a proposta da troca de carne suína brasileira por trigo russo foi bem recebida pelo governo. "Queremos utilizar esse mesmo molde".
Segundo analistas, o trigo russo não deve causar grande impacto no mercado interno. Caso o negócio seja concluído, entrarão 230 mil toneladas no mercado interno. Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, observa que ainda assim será preciso comprar pelo menos um milhão de toneladas fora do Mercosul. "Esse volume não deve atrapalhar os negócios", disse.
Tarcísio de Mineto, da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), afirmou que nesse momento de colheita o impacto seria grande. "É um fator a mais para achatar os preços ao produtor. A comercialização disso precisa ser bem elaborada". Opinião semelhante à de Luiz Martins, presidente do Moinho Anaconda. "O moinho só vai comprar se houver demanda. Com o excesso de oferta, o trigo do Sul do País precisará ser escoado para o Nordeste".