Reestruturação do zoológico atrai milhares de visitantes

10/02/2009

Reestruturação do zoológico atrai milhares de visitantes


Antes mesmo de serem concluídas as obras de reestruturação do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas (Zoológico de Salvador) no felinário e nos setores das aves e dos primatas, que se encontram na primeira, segunda e terceira etapas, respectivamente, as novidades já estão sendo percebidas pelos que visitam o local. O aumento do fluxo de visitantes, que saltou de 25 para 30 mil por mês, é creditado a essas mudanças.

O coordenador do zoo, Gerson Norberto, anunciou mais três etapas de revitalização de outros setores do parque a partir do segundo semestre. A meta da coordenação é alçar o Zoológico de Salvador ao topo do ranking nacional. Segundo Norberto, este objetivo não está longe de ser alcançado.

Primeiro, disse, por conta da reestruturação do parque, baseada principalmente no conceito de bem-estar dos animais. "Isso muda a percepção do público em relação aos animais, configurando uma relação de respeito", afirmou.

Segundo, destacou o coordenador, devido ao número considerável de publicações científicas realizadas pela instituição. E em 2010 a capital baiana será a anfitriã do 34º Congresso da Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB). Este evento também favorece o parque de Salvador na conquista de seus objetivos.

Reeducação - Os bons frutos colhidos resultam do empenho sistemático da equipe multi-disciplinar, que vem buscando conferir uma nova identidade ao zoo de Salvador. "Estamos desenvolvendo um trabalho de reeducação e conscientização. Algumas pessoas que visitam o parque não têm a consciência do que isso (zoológico) representa", explicou o coordenador técnico e veterinário, Vinícius Dantas.

Ele observou que a mudança de paradigma, que apresenta novos valores e conceitos ao público, passa pelo respeito aos animais e pela valorização da fauna regional. "Nosso trabalho está alicerçado na produção científica, educação ambiental e conservação", afirmou.

Atualmente, 89% do plantel existente no zoo de Salvador corresponde a animais brasileiros ou que são nativos de outros países, mas nasceram no Brasil. Os outros 11% são animais exóticos de outros continentes.

"Quando trabalhamos com a fauna da América do Sul, estamos valorizando nossa região. Em vez de amarmos o leão e a girafa, devemos amar primeiro a onça, que é um animal brasileiro. A anta, por exemplo, é o maior mamífero da fauna nacional", informou Dantas.

Tecnologia - Para obter um maior controle, todos os animais do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas são marcados com microchipe, anilha ou tatuagem. O artifício funciona como o RG dos animais e serve para individualizá-los. "Através da identificação, temos a ficha completa do animal, se fez cirurgia, qual a dieta, qual o comportamento etc.", ressaltou.

Na revitalização do zoo estão sendo construídos recintos que reproduzem as características dos habitats naturais, para oferecer aos animais uma melhor adaptação. A nova ambientação permite a eles mais conforto para viver e reproduzir.

O tratamento vip dispensado aos animais propicia uma reprodução saudável e equilibrada, mesmo em cativeiro. Segundo Norberto, os zoológicos representam o maior banco genético de populações (animais) livres do mundo. Por conta disso várias espécies deixaram de ser extintas.

Reprodução em cativeiro preserva espécies

O mico-leão-de-cara-dourada, segundo o Ibama, é um animal ameaçado de extinção. Sua maior população é encontrada no sul da Bahia. No município de Una existe uma reserva de proteção ambiental desse animal eminentemente baiano.

Em janeiro, nasceram dois filhotes de mico-leão-de-cara-dourada no zoo de Salvador. A fêmea, chamada de ‘Kika’ pelo tratador, convive com dois machos. Ambos se revezam nos cuidados com as crias. Por causa de uma cirurgia a que foi submetida, ela perdeu os movimentos do braço esquerdo. Seus dois ‘maridos’, além de carregar os filhotes nas costas, dispensam em abundância carinho e afago à ‘mamãe recém-parida’.

Alimentação - A dieta dos micos-leão-de-cara-dourada é 80% composta de frutas e 20% de proteína animal, que inclui insetos. Eles só são alimentados por tratadores treinados. E não são tocados para não desenvolverem comportamentos atípicos da espécie. "Quando eles são manipulados, ou sofrem interferências do homem, tendem a reproduzir comportamentos da raça humana", destacou Dantas.