Encontro em Pequim avalia efeitos das mudanças climáticas na agricultura
Começou ontem (17/2), em Pequim, um encontro que reúne especialistas do mundo inteiro para debater os impactos provocados na agricultura pelas mudanças climáticas, principalmente por fenômenos como enchentes e secas.
O professor Luiz Cláudio Costa, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e representante do Brasil no evento, afirma que as mudanças climáticas são fenômenos que já afetam diretamente a vida das pessoas. Ele cita o caso dos incêndios que vem ocorrendo na Austrália e que já deixaram 200 mortos, segundo agências internacionais.
Costa afirma que as mudanças climáticas podem também afetar a agricultura. "Vamos ter muita seca, excesso de chuva e infelizmente o que se espera para o Brasil e para outros países é uma queda de produtividade, diminuindo assim a oferta de alimentos", diz ele.
O professor lembra que no Brasil as secas são as que mais afetam as plantações. Os pequenos agricultores podem ter perda total da produção pela falta de água e os que têm irrigação artificial podem causar prejuízo ambiental pela grande quantidade de água usada na atividade.
O pesquisador da Embrapa Willians Marques Ferreira, da unidade de Sete Lagoas (MG), explica que as mudanças climáticas vão afetar os agricultores a longo prazo, porque o plantio que era feito em um determinado período do ano vai se deslocar um pouco em função da disponibilidade da chuva. "As mudanças climáticas já estão ocorrendo. A conseqüência em relação à cultura é gradativa. Não é uma coisa de uma hora para a outra", ressalta o pesquisador.
O encontro em Pequim (China) termina amanhã (19/2). O representante do Brasil espera que ao final dos debates sejam promovidas ações para a adaptação às mudanças climáticas e a redução das emissões de gases que causam o efeito estufa.
"REVOLUÇÃO DOURADA"
Em aula-magna proferida no último dia 16, aos novos alunos do curso de Química da USP, campus São Carlos, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvio Crestana, apresentou a "revolução dourada" que deverá acontecer na ciência, na tecnologia e na agricultura, nos próximos 15 anos, considerando, entre outros motivos, as condições extremamente favoráveis do Brasil. A palestra foi dada no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP) e suscitou perguntas de diversos alunos.
Crestana ponderou que nunca antes na história o homem pôde manipular moléculas, gens e átomos, o que dá à evolução científica e tecnológica horizontes e mudanças que outras gerações jamais tiveram. Apontou também para as novas responsabilidades da ciência e tecnologia, que agora só poderá se desenvolver trabalhando também com os aspectos ambientais e de sustentabilidade.
O presidente da Embrapa apontou alguns dos progressos realizados pela economia e pela agricultura brasileira nos últimos anos. Citou como exemplo o período de 1975 a 2008, quando a produção dos cinco principais grãos (soja, trigo, milho, arroz e feijão) aumentou três vezes, mas com incremento de apenas 40% na área plantada, com mostras evidentes de grande incremento da produtividade, propiciado pela adoção de tecnologias. No mesmo período o preço da cesta básica caiu de base 100 para base 30, ou seja, uma redução de cerca de 70% nos preços ao consumidor, considerando o poder de compra e preços reais já corrigidos e deflacionados.
Também apontou a agroenergia como outro setor onde o Brasil se coloca em primeiro lugar no mundo, tanto na situação atual como no potencial do futuro. Exemplificou com os aumentos de produtividade na produção de álcool e comparou o produto da cana brasileiro com o oriundo de milho norte-americano, com grande vantagem de custos, eficiência e rendimento para o Brasil. O álcool de milho dos Estados Unidos produz apenas 1,7 unidade energética para cada unidade energética gasta na sua produção, ao passo que no Brasil são produzidas de oito a dez unidades energéticas para cada unidade energética gasta na produção.
Estiveram presentes à aula-magna, além dos estudantes, diversos professores e o diretor do Instituto de Química de São Carlos da USP, Edson Ticianelli, pesquisadores e o chefe geral da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Álvaro Macedo e a chefe de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sudeste, Ana Rita de Araújo Nogueira.
FONTES
Agência Brasil
Paula de Castro
Repórter
Embrapa Instrumentação Agropecuária
Embrapa Pecuária Sudeste
Joana Silva e Jorge Reti - Jornalistas