Exportadores estão otimistas com promessa de corte dos subsídios agrícolas nos EUA
A promessa do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de reduzir subsídios a grandes produtores agrícolas dos EUA foi bem recebida por exportadores brasileiros, após o fracasso da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2008. Especialistas aguardam agora mais detalhes do tamanho do corte e dos produtos envolvidos pela medida para avaliar como as exportações brasileiras serão beneficiadas, revela reportagem publicada no dia 25 pelo jornal "O Globo".
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, lembra entre os produtos americanos mais subsidiados estão carne, milho, soja, algodão e suco de laranja. O Brasil concorre com os EUA nesses produtos em mercados como África, Ásia e Europa.
"Com esses cortes, os produtos americanos ficarão menos competitivos nos mercados e abrirão espaço para a agricultora brasileira. Mas precisamos aguardar mais detalhes", destaca o presidente da AEB.
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, diz que a medida pode aumentar as exportações brasileiras aos EUA, mas não fez estimativas. O país recebeu 8,5% dos US$ 71,9 bilhões exportados pelo Brasil em produtos agrícolas no ano passado.
"Mas como os EUA representam pouco das nossas exportações agrícolas, a alta não será muito significativa. Nosso ganho será em outros mercados que disputamos com eles", conclui Kátia Abreu.
IMPORTADOS MAIS BARATOS
A queda nos preços dos importados tem auxiliado a recuperação da balança comercial brasileira em fevereiro, após o déficit de US$ 518 milhões em janeiro, o primeiro desde abril de 2001. Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os preços de produtos manufaturados (maior parcela das importações brasileiras) começaram a ceder mais fortemente neste mês, após a baixa dos estoques de matérias-primas nas indústrias. Até a metade do mês, o superávit acumulava US$ 698 milhões, sinalizando reequilíbrio de preços no comércio internacional.
"Nossa pauta ainda depende muito das commodities, cujos preços caíram rapidamente com a crise. O problema é que o repasse desses custos para os bens industrializados que o Brasil importa é diluído na cadeia de produção e leva alguns meses para impactar a balança", explica Júlio Gomes de Almeida, economista da Unicamp.
FONTE
Agência CNA
Com informações do O Globo