Irrigação potencializa cultura da pinha
Até meados dos anos 90, irrigação era novidade em Presidente Dutra, município a 500 km de Salvador, que produz quase metade da pinha da Bahia.
Em 2008, as propriedades irrigadas, com ajuda da técnica da polinização, já responderam por 55% da pinha produzida, mesmo com apenas 32% da área plantada. Os agricultores familiares de sequeiro ainda representam a maioria, mas são praticamente extrativistas e perdem terreno de forma acelerada.
Um exemplo de produtor que explora bem as potencialidades da irrigação é João Machado. Bancário há mais de 30 anos, tem suas origens no campo e, apesar da carreira, nunca abandonou o trabalho na roça, ao qual pretende se dedicar integralmente depois da aposentadoria.
Machado não trata a atividade como bico ou lazer, mas como empresa. Em uma de suas propriedades, iniciou, há seis anos, a plantação de 24 mil pés de pinha, irrigados com água captada no subsolo por meio de um poço tubular. A meta de Machado é obter uma produção anual de 150 toneladas do fruto.
Safras - Enquanto um produtor de pinha de sequeiro tem apenas uma safra anual, um com terra irrigada tem condições de passar o ano todo colhendo. Da fazenda de Machado, desde julho de 2008 saem caminhões carregados com uma média entre 300 a 800 caixas de pinha. A meta é colher durante todo o ano, de forma ininterrupta.
A irrigação, associada à polinização, permite obter de cada pé duas safras anuais. Para colher o ano todo, basta distribuir os 24 mil pés de forma planejada, de maneira que todo mês uma parcela deles esteja dando frutos. Nas áreas de sequeiro, é impossível, porque a safra depende do período chuvoso anual.
Oito empregados permanentes trabalham nos 28 hectares da terra de Machado. Quando é feita a polinização, chegam a ser 20 trabalhadores.
Além da pinha, os agricultores precisam cuidar de culturas forrageiras que crescem entre as leiras, ajudando a pagar os custos de produção e fertilizando o solo. Especialmente as leguminosas têm a capacidade de absorver o nitrogênio do ar para as raízes, beneficiando as pinheiras próximas. O nitrogênio é um dos principais nutrientes.
Neste aspecto, a produção irrigada leva vantagem. As leguminosas dependem de umidade, e por isso nos sequeiros só podem ser cultivadas na época de chuva. É quando os agricultores costumam plantar sob a pinheira alguns tipos de feijão e milho.
Polinização - Assim como a irrigação, a polinização é uma técnica relativamente nova na região de Irecê e nem está ainda totalmente disseminada por todos os 13 municípios produtores. Como toda novidade, enfrentou resistência e somente nos últimos anos ganhou impulso.
A técnica equivale a uma inseminação artificial. Com um pincel, colhe-se o pólen de uma flor no estágio masculino do desenvolvimento. Em seguida, o pincel é inserido na flor em estágio feminino, forçando a fecundação.
É o mesmo que a abelha faz aleatoriamente. A diferença é que, sob a intervenção direta do homem, os resultados são controlados. "Com os insetos e pássaros podem ser tanto cinco quanto 100 frutos no mesmo pé", compara o técnico Adão Oliveira, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
Sob o comando do produtor, é possível alcançar a quantidade ideal em cada pé (não é recomendável número muito grande, porque o excesso acaba limitando o tamanho das pinhas).
Adão é o único técnico da EBDA especializado em pinha na região, sendo também um produtor. Responsável por Presidente Dutra, Uibaí e Central, incentiva os pequenos a utilizar técnicas mais modernas.
Outra técnica importante do seu receituário é a poda, que tanto pode ser radical quanto meia poda. Na radical, à primeira vista a planta parece morta, porém renasce ainda mais forte.