Fruta de Presidente Dutra abastece Sul do País
Presidente Dutra produz tanta pinha que praticamente não há espaço para qualquer outra atividade. No campo ou na sede do município, quase todos vivem em função dela. As propriedades rurais são majoritariamente pequenas, empregando somente a família. Mas já no transporte para depósitos na cidade entra a atividade de terceiros. Lá, os comerciantes que compram a produção para exportar a outros estados empregam gente que passa o dia embalando as frutas.
Dependendo do destino, elas seguem em caixas de madeira, de plástico ou de papel rumo ao consumidor final. Os grandes clientes fornecem suas próprias caixas padronizadas aos depósitos, onde cada pinha é delicadamente acomodada, envolvida em papel fino, a fim de que não machuque nem perca a cor original, devido ao atrito.
Mas tem também a pinha que viaja apertada em caixas recicladas de madeira. É o aperto que garante o encaixe e a segurança da embalagem. Após um dia inteiro embalando pinhas, cada trabalhador ganha R 20 pela jornada.
Não tem trabalho somente para os embaladores. A própria confecção das caixas de madeira gera renda em Presidente Dutra. O processo começa nas fábricas de caixas. Usando pistolas automáticas, os trabalhadores montam uma com grampos em segundos.
E vão empilhando. "Faço quatro mil por dia", garante Iuri da Silva, que dá entrevista sem parar de trabalhar. Ele entra antes das 6 da manhã e vai até as 16 h, de segunda a sábado, com salário de R 30/ dia.
Mas a caixa ainda não está pronta quando sai da fábrica. Nos depósitos, depois de preenchidas com as pinhas, é preciso pregar duas ripas fechando a embalagem. Cada depósito emprega pessoas exclusivamente para fazer este serviço.
O ritmo é frenético de embalagem, arrumação e fechamento das caixas. No fim do dia, um caminhão será abastecido e começará a viagem rumo aos principais mercados consumidores: São Paulo, Rio, Brasília, Recife e só depois Salvador.
O técnico Adão Oliveira, da EBDA, justifica que os clientes de outros estados são mais exigentes e aceitam pagar mais caro para ter os melhores frutos.