Baianos participam de grupo de trabalho climático na Alemanha

04/03/2009

Baianos participam de grupo de trabalho climático na Alemanha


 

Cientistas e planejadores urbanos do Brasil, inclusive da Bahia, da Europa, da Rússia, Portugal e Hong Kong, dentre outros países, retomam até o dia 15 deste mês, nas universidades de Kassel e Freiburg, na Alemanha, a discussão dos estudos até agora desenvolvidos para uma melhor compreensão dos impactos das cidades sobre a mudança climática global. Será a segunda reunião de trabalho do projeto Clima Urbano, Planejamento Urbano e Mudanças Climáticas.

Eles participam como parceiros docentes e pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que será representada pela sua diretora de Fortalecimento Tecnológico e Empresarial, Telma Côrtes.

O Projeto de Cooperação Bilateral Brasil-Alemanha visa desenvolver metodologias e procedimentos comuns a países europeus e ao Brasil para a medição de dados climáticos e verificação das condições de qualidade físicoambiental de espaços intraurbanos. O encontro discutirá ainda as possíveis mudanças climáticas decorrentes da urbanização em um horizonte de 20 anos.

Os recursos são originários do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq), que investiu R$ 300 milhões, e do Órgão de Fomento da Alemanha, que aplicou 500 milhões de euros no projeto.

Parceria - Além da representante da Secti, participam da segunda reunião de trabalho pesquisadores do Laboratório de Conforto Ambiental da Faculdade de Arquitetura e o Mestrado em Engenharia Ambiental Urbana da Escola Politécnica, ambos da UFBA, que vêm realizando estudos sobre o clima urbano desde 1995, em parceria com a Universidade de Kassel.

"Em todo o mundo, a pesquisa sobre o clima urbano mostra que as mudanças na paisagem acarretadas pela urbanização afetam o balanço local de energia, provocando alterações no clima local e que se pode apontar como principais fenômenos resultantes a formação da ilha de calor urbana, a concentração de poluição no ar e a ocorrência mais frequente de episódios climáticos severos", explicou Telma Côrtes.

Já a professora e pesquisadora do Laboratório de Conforto Ambiental da Faculdade de Arquitetura da Ufba, Tereza Moura, observou que a quantidade de energia usada nas grandes cidades transforma as áreas urbanas nas maiores fontes indiretas de produção de gases causadores do efeito estufa.

População - Além disso, segundo as duas representantes da Bahia, o rápido crescimento das populações urbanas, principalmente nos países em desenvolvimento, provoca uma pressão cada vez maior sobre o sítio natural.

"Estudos realizados com séries climáticas dos últimos 100 anos da rede meteorológica mundial sugerem que o incremento médio observado na temperatura do planeta tem como uma de suas causas a urbanização", disse Telma Côrtes.