Plantio irregulares levam órgão a fazer 400 autuações
A diretora do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Beth Wagner, contestou a falta de controle da expansão da cultura de eucalipto denunciada por A TARDE, na edição de domingo passado, de acordo com os estudos do próprio órgão. Beth Wagner destacou que desde que os estudos começaram a ser feitos, em 2007, mais de 400 autuações foram expedidas pelos fiscais do órgão de meio ambiente.
A diretora fez os esclarecimentos três dias depois de ser procurada pela reportagem de A TARDE e de ter se negado a falar por ainda não ter conhecimento da ação do promotor de Eunápolis, João Alves da Silva Neto, contra o IMA, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cepram) e a Veracel Celulose S.A., sediada em Eunápolis, a 643 km de Salvador.
A ação cita o diagnóstico feito pelo IMA no qual o órgão detectou irregularidades como a falta de licença ambiental em 70% dos plantios em 85 propriedades dos municípios de Itamaraju, Porto Seguro, Itabela, Guarapiranga, Santa Cruz Cabrália, Eunápolis, Itagimirim, Belmonte e Mascote. A diretora também refutou as acusações do promotor de corrupção a funcionários do Estado para a concessão de licenças para plantios. “Não concedemos nenhuma licença para eucalipto neste governo. A última licença foi dada em 93”, afirmou. Segundo ela, só há um pedido de licença em tramitação, e que ainda está em fase de discussão do termo de referência.
A licença em questão foi pedida pela Veracel Celulose para duplicação da área cultivada da empresa. Beth Wagner estava ontem em Eunápolis em reunião para tratar deste tema.
PRIMEIRA VEZ – A diretora ressaltou que o conhecimento da situação da monocultura de eucalipto na região extremo sul só foi possível graças aos estudos que estão sendo feitos desde 2007, pelo atual governo. “Fizemos o maior diagnóstico que já foi feito sobre o assunto”, afirmou.
O diagnóstico ainda não está concluído e, segundo Beth, servirá de subsídio para a avaliação ambiental estratégica e para o zoneamento econômico ecológico, que são formas de planejamento da ocupação do território.
Ela informou que esses estudos ficam prontos ainda este ano.
DEMORA –Para o ambientalista Renato Cunha, do Grupo Ambientalista da Bahia, desde a década de 90 têm sido denunciadas irregularidades como o desrespeito às áreas de preservação permanente e às reservas legais.
Renato diz que a realização da avaliação estratégica e do zoneamento tem sido reivindicada desde 1995. “Até hoje não foram feitos e o governo diz que vai fazer, e até hoje, nada”.
O ambientalista observou ainda que a duplicação do plantio pleiteada pela Veracel somente deveria ser avaliada depois de elaborado o zoneamento e com a participação da sociedade.
“A avaliação estratégica está lenta e o licenciamento já está em andamento”, reclama Renato Cunha.